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PF inclui bilionários e executivos de bancos em nova investigação contra fraudes nas Americanas

A Polícia Federal (PF) cumpre, nesta quinta-feira (25), nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo no âmbito da segunda fase da Operação Disclosure (revelação, em português), com o objetivo de aprofundar as investigações sobre fraudes contábeis na Americanas. Estão entre os alvos os integrantes do conselho de administração da empresa Beto Sicupira e Eduardo Saggioro e o ex-integrante Paulo Alberto Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann.

A Justiça Federal também determinou o sequestro de até R$ 54 bilhões em bens e valores. As diligências contam com o apoio do Ministério Público Federal (MPF).

De acordo com a PF, os investigados teriam ciência de fraudes envolvendo operações de risco sacado e contratos de propaganda registrados na contabilidade sem lastro na realidade do caixa. Com isso, os crimes averiguados inicialmente são manipulação de mercado e associação criminosa.

Uma fonte com acesso à decisão da 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro informou à Gazeta do Povo detalhou que as apurações partiram de delações premiadas dos ex-diretores Fábio da Silva Abrate e Flávia Carneiro e encontraram um esquema sofisticado envolvendo executivos dos bancos Itaú, Bradesco e Santander e ex-executivos da Americanas para driblar o pagamento de impostos.

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A primeira fase da Operação Disclosure foi deflagrada há dois anos e buscou entender a participação de ex-diretores nos ilícitos. À época, a estimativa da fraude era R$ 25,3 bilhões, metade do que se prevê agora.

Em nota, a Americanas disse que foi alvo de buscas apenas na primeira fase, negando que tenha recebido a PF dessa vez. A companhia acrescentou que “seguirá colaborando com as investigações e é a maior interessada no esclarecimento dos fatos”.

Além da PF, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também havia auxiliado, em uma ação com proporções maiores, envolvendo 80 policiais,dois mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão.

A empresa solicitou, em março, o encerramento de seu processo de recuperação judicial, alegando que cumpriu todas as obrigações previstas no plano homologado pela  4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. O pedido foi motivado justamente pela fraude nos registros, que esconderam o rombo bilionário.

O que dizem os citados

A reportagem entrou em contato com a Americanas e com os integrantes e ex-integrantes do conselho de adminsitração citados. O Bradesco afirmou que está à disposição das autoridades.

O Itaú enviou uma nota:

“Em relação à operação realizada hoje, o Itaú Unibanco, embora não seja investigado, esclarece que colabora ativamente com as autoridades desde 2023, prestando todas as informações sobre o caso Americanas. As investigações oficiais já demonstraram que a varejista foi palco de uma das maiores fraudes corporativas do País.

O banco, que sofreu perdas bilionárias com o episódio, já comprovou a lisura de sua conduta e da atuação de seus funcionários por meio de documentos apresentados à Justiça. Os registros deixam claro, por exemplo, que o Itaú recusou pedidos da antiga gestão da Americanas para alterar cartas de circularização de balanços.

A instituição reitera que sempre atuou com rigor ético e regulatório, apoiando e confiando no trabalho das autoridades para a elucidação definitiva das irregularidades praticadas pela antiga administração da varejista”.

O Santander ainda não se manifestou. O espaço segue aberto.

 

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