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Quem é Priscila Costa, envolvida no conflito entre Flávio e Michelle Bolsonaro

“Uma mulher honrada e fiel defensora da vida e das pautas conservadoras.” Foi assim que Michelle Bolsonaro descreveu a vereadora Priscila Costa (PL-CE) ao expor divergências internas no partido, episódio que a colocou no centro de uma disputa com o senador Flávio Bolsonaro.

A menção a Priscila no vídeo de Michelle ocorre em meio a um embate interno no PL sobre a definição de candidaturas ao Senado Federal e a influência de diferentes alas de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Na gravação, a ex-primeira-dama revelou ter indicado apenas três nomes para disputas ao Senado dentro do PL: Bia Kicis (PL-DF), Caroline de Toni (PL-SC) e Priscila Costa.

Segundo Michelle, a vereadora teve papel decisivo na campanha de André Fernandes (PL) à Prefeitura de Fortaleza.

“Priscila tinha acabado de ser eleita vereadora. Poderia estar cuidando do próprio mandato. Em vez disso, dedicou-se integralmente à campanha de André, aproximando o público feminino, diminuindo a rejeição e abrindo portas que estavam fechadas. O trabalho dela fez diferença real e significativa”, afirmou.

Apesar de Fernandes não ter vencido a eleição, a campanha foi considerada acima das expectativas iniciais.

Michelle afirmou ainda que André Fernandes, atual presidente do PL no Ceará, tenta retirar o espaço de Priscila Costa para acomodar uma possível aliança envolvendo o grupo de Ciro Gomes.

Conservadora, evangélica e mãe de quatro filhos

A recente projeção nacional, após o vídeo de Michelle, contrasta com uma trajetória construída sobretudo na política local, onde Priscila consolidou sua base eleitoral. Conservadora e evangélica, é mãe de quatro filhos e costuma atribuir sua força eleitoral à coerência na defesa de pautas ligadas à família e à vida.

Formada em jornalismo, construiu carreira em rádio, televisão e assessoria de imprensa antes de ingressar na política. Aos 40 anos, tornou-se a vereadora mais votada de Fortaleza nas eleições municipais de 2024, com mais de 36 mil votos, superando todos os demais candidatos. Este é seu terceiro mandato na Câmara Municipal.

Nas próximas semanas, no entanto, Priscila assumirá a vaga da deputada federal Dayany Bittencourt (União-CE), que perderá o mandato em decorrência da cassação do deputado Heitor Freire. A decisão levou à anulação e à redistribuição dos votos das eleições de 2022, determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no início de 2026.

Mas essa não é a primeira vez que Priscila vai exercer o mandato de deputada federal. Em 2023, ela chegou a assumir uma vaga na Câmara dos Deputados por quatro meses, durante a licença de um parlamentar. À época, entre junho e outubro de 2023, estava grávida do quarto filho e protagonizou discussões acaloradas nas comissões em que atuava, em defesa de pautas pró-vida.

Naquele período, o Supremo Tribunal Federal (STF) analisava a ADPF 442, que pretende descriminalizar o aborto até 12 semanas de gestação. A parlamentar chegou a ser designada como relatora do Estatuto do Nascituro, projeto de lei que busca garantir integralmente os direitos do nascituro. Com o fim de sua passagem pela Casa, a deputada federal Samia Bomfim assumiu a relatoria (PSOL-SP).

Sondagem como vice de Flávio

No último mês, o nome da vereadora circulou nos bastidores como uma possível composição na chapa de Flávio Bolsonaro. Ao jornal Pleno News, ela confirmou ter sido procurada.

“Com alegria eu recebi esse tipo de sondagem. Outras colegas também foram lembradas, mas isso é, de fato, uma decisão do partido. Isso é algo que está totalmente fora do nosso alcance. Isso é o PL, a Nacional, os seus líderes maiores sentando com o Flávio, que vão tomar esse tipo de decisão”, destacou.

Na mesma entrevista, destacou que sua base eleitoral está concentrada no Nordeste, região que, segundo ela, historicamente elege candidatos do PT. Para ela, além de mudanças nos quadros políticos, é necessário também transformar a mentalidade do eleitorado.

“E, nesse aspecto de mudança de mentalidade, a voz feminina é muito importante. Conversar com mulheres que, muitas vezes, especialmente no Nordeste, são líderes de família e influentes”, concluiu.

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