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Como é o conglomerado dominado pelos militares que drena as riquezas de Cuba

O conglomerado militar Gaesa se tornou, nas últimas décadas, o principal centro de poder econômico de Cuba. O grupo controla parte significativa dos setores mais lucrativos da economia da ilha — do turismo ao sistema financeiro — e é apontado pelo governo de Donald Trump como a estrutura que concentra a riqueza da ditadura comunista enquanto a população enfrenta escassez, apagões e deterioração dos serviços públicos.

Nesta terça-feira (23), o Departamento de Estado americano anunciou sanções econômicas contra cinco pessoas jurídicas de Cuba, entre elas três empresas ligadas à Gaesa: a companhia de logística e armazenamento Almacenes Universales S.A. e duas instituições financeiras, Rafin S.A. e Banco Financiero Internacional (BFI).

As medidas anunciadas nesta terça ampliam uma ofensiva iniciada em maio, quando o governo dos Estados Unidos impôs sanções financeiras à Gaesa, descrita em nota como “o coração do sistema comunista cleptocrático de Cuba”. A general Ania Guillermina Lastres Morera, presidente-executiva do conglomerado, também foi alvo de sanções.

O conglomerado foi criado pelo então vice da ditadura cubana, Raúl Castro, em 1995, para dar às Forças Armadas cubanas uma “base financeira” durante o chamado Período Especial, a crise econômica registrada no país entre 1991 e 2000, causada principalmente pela dissolução da União Soviética.

Três décadas depois, o conglomerado se consolidou como o principal braço econômico das Forças Armadas e passou a concentrar boa parte dos ativos mais valiosos da economia cubana. Segundo o Departamento de Estado dos EUA, a receita da Gaesa equivale a mais do que o triplo do orçamento do Estado cubano, e a empresa controla até US$ 20 bilhões em ativos ilícitos.

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Gaesa domina setores econômicos lucrativos de Cuba

Um relatório divulgado em dezembro pela Escola de Direito da Universidade de Columbia destacou que a Gaesa domina os setores econômicos mais estratégicos e lucrativos de Cuba. O levantamento foi baseado em demonstrativos financeiros obtidos pelo jornal El Nuevo Herald.

Por meio da afiliada Gaviota, a Gaesa controla uma grande parcela do turismo; através das afiliadas Cimex e TRD Caribe, domina o comércio varejista e atacadista, respectivamente; e por meio da Rafin S.A. e do Banco Financiero Internacional (BFI), o sistema financeiro cubano.

O relatório da Columbia acrescentou que o conglomerado administra também empresas de remessas (por meio das quais cubanos no exterior enviam dinheiro para parentes no país), logística e armazenagem (incluindo o Porto de Mariel, o maior de Cuba), construção civil, transporte e comércio exterior.

As exportações de bens e serviços do grupo Gaesa equivalem a aproximadamente 34% do total das exportações da ilha, destacou o informe; se forem considerados apenas os serviços, a participação sobe para 41%. As reservas líquidas do conglomerado somam US$ 14,5 bilhões.

E essas operações ocorrem sem auditorias do Ministério Público nem prestação de contas à Assembleia Nacional de Cuba, configurando na prática “uma estrutura paralela à do restante do Estado e da economia civil”.

“Em um contexto de profunda crise em Cuba — escassez, apagões, inflação, inadimplência da dívida externa e colapso da conversibilidade das moedas nacionais —, o conglomerado Gaesa mantém lucros positivos, financia investimentos hoteleiros e acumula superávits financeiros, enquanto o restante do sistema econômico carece das divisas necessárias para operar”, escreveu o autor do estudo, Pavel Vidal Alejandro, pesquisador visitante em Columbia.

Cuba é controlada pela Gaesa, diz Rubio

“Hoje, Cuba não é controlada por nenhuma ‘revolução’. Cuba é controlada pela Gaesa. Um ‘Estado dentro do Estado’ que não presta contas a ninguém e acumula os lucros de seus negócios em benefício de uma pequena elite. E o único papel desempenhado pelo chamado ‘governo’ é exigir que você continue fazendo ‘sacrifícios’ e reprimir qualquer um que ouse reclamar”, afirmou o secretário de Estado americano, Marco Rubio, em pronunciamento ao povo cubano divulgado em maio.

Na ocasião, Rubio sugeriu que a ajuda humanitária enviada a Cuba estaria sendo desviada pela Gaesa para ser vendida nas lojas do conglomerado, mas a interferência do grupo na vida e na economia da ilha vai muito além disso.

“Controlando cerca de 40% ou mais da economia da ilha, a Gaesa atua em diversos setores da economia cubana e foi concebida para gerar renda não para o povo cubano, mas apenas para o benefício de suas elites corruptas”, afirmou o Departamento de Estado.

“Enquanto o povo cubano sofre com fome, doenças e subinvestimento crônico em infraestrutura essencial, como a rede elétrica, grande parte dos lucros das atividades da Gaesa é desviada para contas bancárias secretas no exterior”, disse o Departamento de Estado.

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