A comprovação de racismo e discriminação não exige mais nenhum comportamento direto, nenhum ato comissivo desempenhado por ninguém; basta que se constate algum tipo de “disparidade” na realidade. (Foto: Imagem criada utilizando Open AI/Gazeta do Povo)
Ouça este conteúdo
Recentemente, o TST condenou uma empresa por ausência de mulheres em cargos de gerência. O fundamento da condenação não residia em caso específico de assédio, ou em prática de discriminação explícita, ou em tipo de privilégio conferido aos empregados homens. Na realidade, a condenação teve como elemento fundamental de prova apenas a disparidade estatística: se metade da população da cidade é de mulheres, então por que não há mulheres nos mais de vinte cargos de gerência?
Veja-se que, para se fazer um estudo estatístico em ciências sociais, são necessários múltiplos fatores, variáveis de controle, e testes com diferentes métodos estatísticos. Mas para condenar uma empresa? Basta uma comparação global, feita no olho mesmo, com apenas um único indicador.
A simplificação do argumento estatístico é evidente: por que considerar a população total e não, por exemplo, a população economicamente ativa, essa sim aberta à possibilidade de contratação? E por que não considerar o número de pessoas habilitadas a contratação ou promoção, com a educação, a experiência e o treinamento necessários à função? Ainda que se concorde com o argumento da representatividade estatística, é errado utilizar a população total como critério único de aferição de disparidade.
O objetivo do comunismo nunca é realmente o de ajudar a nenhuma das categorias protegidas; o objetivo é sempre a conquista e a manutenção do poder
Note-se ainda o afastamento do princípio da legalidade e a inversão do ônus da prova: é a empresa, e não os seus acusadores, que deve demonstrar que não pratica discriminação. Para não falar do afastamento da livre-iniciativa, do capitalismo, da liberdade de contratar e de ser contratado. Esse tipo de decisão é parte do esforço de desmonte das liberdades individuais e do devido processo legal, que o Ocidente vem sofrendo há tempos.
Mas o mais perigoso nesse tipo de decisão é o que ele representa em termos de valores para a sociedade. A comprovação de racismo e discriminação não exige mais nenhum comportamento direto, nenhum ato comissivo desempenhado por ninguém; basta que se constate algum tipo de “disparidade” na realidade. Essa constatação, combinada com as chamadas “teorias críticas” – que partem da premissa de que todo e qualquer problema social contém em si uma relação maniqueísta de poder –, leva forçosamente à conclusão de que a disparidade é causada por racismo, patriarcado, opressão etc.
Por exemplo, se num acidente de ônibus morrerem mais mulheres do que homens, pode-se dizer que isso é um problema do patriarcado. Por qual motivo exatamente? Qual o mecanismo causal que conecta o patriarcado ao fato de mais mulheres terem morrido nesse determinado acidente de ônibus?
VEJA TAMBÉM:
Os motivos e mecanismos encontram-se depois; mas a premissa da opressão já está dada. É por isso que temos visto coisas como ar-condicionado machista, arquitetura machista, e assim por diante. Com a teoria crítica na mente, basta olhar para qualquer disparidade e concluir: é racismo, é machismo, é discriminação.
Disso resulta que o combate à opressão é apenas legítima defesa. Punir aqueles responsáveis por essa “opressão” seria apenas a consequência necessária dessa lógica. Nessa visão de mundo, pedir para baixar a temperatura do ar-condicionado é machismo ou, até mesmo, ato de violência contra mulheres.
A menos, claro, que seja uma mulher de direita. A menos, claro, que seja uma mulher judia dentro de um calabouço do Hamas. Aí vale ligar o ar, desligar o ar, estuprar, que se trata apenas de “resistência”. E é aqui que temos a revelação do espírito que fundamenta essas pautas de diversidade da esquerda: o objetivo do comunismo nunca é realmente o de ajudar a nenhuma das categorias protegidas; o objetivo é sempre a conquista e a manutenção do poder.
Conteúdo editado por: Jocelaine Santos
Você pode se interessar
Encontrou algo errado na matéria?
Comunique erros
Use este espaço apenas para a comunicação de erros


