O ministro Gilmar Mendes, decano do STF, participou do programa Roda Viva na última segunda-feira (22). Em um tom combativo e por vezes irônico, ele rebateu críticas sobre a transparência da Corte, comentou a impopularidade do tribunal e discutiu processos envolvendo o Banco Master e o 8 de janeiro.
Como os ministros do STF prestam contas de seus ganhos extras?
Gilmar Mendes afirmou que toda renda extra, como a vinda de palestras, é declarada obrigatoriamente no Imposto de Renda e em declarações de patrimônio. No entanto, ele omitiu que esses documentos estão sob sigilo fiscal, o que impede que o cidadão comum verifique esses dados publicamente, ao contrário do que ocorre com membros do Executivo e Legislativo.
Por que o ministro comparou sua situação com a de veículos de imprensa?
Ao ser pressionado sobre patrocínios e transparência, o ministro usou um tom defensivo e citou um evento da Folha de S. Paulo que foi apoiado pela Odebrecht. Ele sugeriu que, se a imprensa recebe patrocínios de grandes empresas, os ministros do tribunal também poderiam, desviando o foco do questionamento sobre sua conduta pessoal para a relação entre mídia e empresas.
Quem o ministro culpa pela baixa popularidade do Supremo?
Para ele, a imagem negativa da Corte não é reflexo das decisões tomadas pelos ministros, mas sim da forma como a imprensa noticia esses fatos. Mendes argumenta que o tribunal é ‘massacrado’ por semanas nas manchetes, o que influenciaria as pesquisas de opinião. Ele ignora, contudo, que as reportagens são reações às próprias ações e ligações suspeitas de integrantes do tribunal.
Como Gilmar Mendes explicou sua atuação nos casos do 8 de janeiro?
O ministro alegou que só acompanhou os processos dos atos do 8 de janeiro pelos jornais, por não fazer parte da Primeira Turma do STF. Entretanto, essa afirmação é imprecisa, já que Gilmar participou ativamente de votações em diversas ações penais sobre o tema que tramitaram no plenário da Corte.
Por que existe debate sobre o conflito de interesses de ministros?
O tema surge porque magistrados devem ser neutros. Críticos apontam que ministros como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli julgaram casos em que, teoricamente, poderiam ter interesses pessoais ou ligações com as partes envolvidas. Gilmar Mendes minimizou essas discussões, tratando-as como situações pontuais, embora elas sejam frequentes e gerem pressão pública por afastamentos.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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