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Kataguiri e Paulo Serra desistem e abrem caminho para duelo único entre Tarcísio e Haddad

Com ampla vantagem sobre o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) nas sondagens de intenção de voto realizadas até o momento, as chances reais de definir a eleição ainda no primeiro turno aumentaram para o governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A desistência de dois candidatos que trafegam no mesmo campo ideológico da centro-direita tem potencial de ser decisiva para evitar um confronto em segundo turno entre Tarcísio e Haddad.

Após afirmar à Gazeta do Povo na última quarta-feira (17) que sua candidatura continuava firme, o ex-prefeito de Santo André (SP) Paulo Serra (PSDB) anunciou, neste domingo (21), ter desistido de disputar o governo paulista em outubro. Ele concorrerá a deputado federal.

O comunicado público do tucano ocorre um dia depois de Kim Kataguiri (Missão) também confirmar ter recuado da disputa pelo comando do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. A notícia das duas desistências é melhor para Tarcísio do que para o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, escalado pelo PT para enfrentar o governador paulista, conforme análise atrelada às mais recentes pesquisas de intenção de voto.

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De acordo com levantamento do instituto Real Time Big Data divulgada no último dia 16, sem Kataguiri na disputa Tarcísio atinge 49% das intenções de voto, contra 33% de Haddad (PT) e 10% de Paulo Serra (PSDB), enquanto nulos e brancos somam 4% e os indecisos representam outros 4%. Pela regra eleitoral, um candidato é eleito em primeiro turno quando obtém a maioria absoluta dos votos, excluindo os votos em branco e os nulos.

No primeiro cenário testado, Tarcísio está à frente com 46% das intenções de voto, seguido por Haddad, com 33%. Kataguiri tem 8% e Serra, 6%. Votos nulos e brancos somam 4%, enquanto 3% não sabem ou não responderam.

Um cenário com Kataguiri e sem Serra não foi testado nesta rodada da pesquisa. Ou seja, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, Tarcísio pode chegar a um percentual que garanta a vitória em primeiro turno em ambos os cenários.

A Real Time Big Data entrevistou 2 mil eleitores em todo o estado de São Paulo, entre os dias 13 e 15 de junho. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. A pesquisa foi realizada com recursos do próprio instituto e está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo SP-09734/2026. O instituto não divulgou resultados do segundo turno na eleição para o governo de São Paulo.

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Tarcísio tentará apoio de Serra e Kataguiri

Para aumentar as chances de “fechar a fatura” da eleição ainda no primeiro turno, Tarcísio precisa conseguir convencer os adversários eleitorais a apoiá-lo — o que oficialmente não ocorreu até esta segunda-feira (22).

Em seu comunicado, Serra afirma que a decisão sobre a desistência da pré-candidatura tucana em São Paulo foi tomada após um período de reflexão e diálogo sobre o cenário político e sobre a forma como poderia contribuir melhor para o estado e para o país. “Anuncio oficialmente minha pré-candidatura a deputado federal. Quero levar para o Congresso Nacional aquilo que aprendemos e colocamos em prática ao longo dos últimos anos: planejamento, responsabilidade fiscal, inovação, eficiência administrativa e, acima de tudo, compromisso com as pessoas”, diz.

“Kataguiri e Paulo Serra poderiam tirar votos de Tarcísio e forçar um segundo turno”, analisa o cientista político Samuel Oliveira à Gazeta do Povo. “Kim fala com uma direita liberal, jovem, digital, crítica ao PT, mas também menos disposta a aderir automaticamente ao governador”, avalia.

Desistências na eleição de São Paulo têm potencial de impactar nacionalmente

Para a campanha de Haddad, a presença de Kim e de Paulo Serra seria útil, conforme a análise de Oliveira. “Eles poderiam ajudar a levar a eleição ao segundo turno, mas isso não significaria de qualquer forma transferência automática para o PT”, diz.

“Parte desse voto é anti-Haddad e anti-PT. Ou seja, eles ajudariam Haddad a prolongar o jogo, mas não necessariamente resolveriam o jogo para ele”, acrescenta o cientista político.

O impacto nacional é evidente”, afirma Oliveira. “Se Tarcísio vence no primeiro turno, sai livre para ser cabo eleitoral da direita no plano nacional, articular prefeitos, fortalecer palanques e atuar como fiador político de uma candidatura presidencial. Por isso, a pergunta não era se Kim e Paulo Serra mexeriam tanto assim no tabuleiro em outubro, a pergunta era se eles mexeriam o suficiente até outubro.”

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