Um tribunal de Petropavlovsk-Kamchatsky, cidade no extremo leste da Rússia, ordenou a deportação do pastor americano Paul Gionee do país, devido a acusações de violar as normas relativas à atividade missionária.
Segundo informações da Radio Free Europe/Radio Liberty, financiada pelo governo dos Estados Unidos, Gionee havia sido denunciado devido a um encontro com fiéis em uma igreja em 23 de maio, na qual, segundo a acusação, teria proferido palestras sobre religião “sem autorização” e pedido orações pelo presidente americano, Donald Trump, “na presença de pessoas que não seguem esse ensinamento”.
A sentença não especifica qual é a denominação religiosa de Gionee e das outras pessoas que estavam presentes.
De acordo com a Radio Free Europe/Radio Liberty, a principal “prova” da acusação foi uma gravação feita secretamente por duas pessoas que participaram da reunião e entregaram o áudio ao Centro de Combate ao Extremismo.
Durante a conversa, Gionee falou que nos EUA são comuns as orações por líderes políticos e convidou a congregação a orar por Trump.
A sentença apontou que a palestra do pastor atraiu o interesse de “estranhos”, que supostamente “decidiram continuar estudando a doutrina”, o que confirmou “o propósito de atrair novas pessoas” para a organização religiosa.
Gionee, que está preso em um centro de detenção temporária para migrantes, será deportado da Rússia a partir de 27 de agosto. O pastor também foi multado em 30 mil rublos (cerca de R$ 2,1 mil).
No último dia 8, o tribunal local havia anulado a sentença inicial devido a irregularidades processuais, mas, após revisar os autos do processo na sexta-feira passada (12), a sentença foi restabelecida.
A defesa do pastor nega qualquer crime e afirmou durante o julgamento que Gionee viaja à Rússia há quase 30 anos em missões de caridade, ajudando orfanatos, e que dos seus oito filhos, cinco são meninas russas que ele adotou.
De acordo com o jornal The Moscow Times, os advogados argumentaram também que a ordem de deportação constitui punição excessiva, já que o pastor tem meios financeiros para deixar a Rússia por conta própria e já havia marcado viagem para 4 de junho.
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