Alheio ao mau desempenho em sondagens eleitorais recentes e ao mal-estar causado com colegas de partido com a filiação e lançamento de seu nome como pré-candidato à Presidência, o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa (DC) estreou nas redes sociais na última terça-feira (16) com pose de candidato.
Barbosa abriu perfis no Instagram, no YouTube, no LinkedIn, no Kwai, no Facebook e no TikTok, além de ter reativado seu antigo perfil no X, onde não fazia nenhuma publicação desde o final de maio — segundo ele, sobre um tema urgente: a falta de integração do Brasil com os países que falam a língua portuguesa.
Agora, na reestreia nas redes sociais, Joaquim Barbosa dá a entender que pretende se firmar como pré-candidato à Presidência da República. No entanto, ele não é explícito.
“Estou estudando a possibilidade de, chegado o momento fixado pela lei, me lançar na disputa pelo emprego mais difícil e complexo do nosso país”, afirma o ex-ministro do STF em uma postagem no LinkedIn, replicada nas outras redes, com exceção de Kwai, TikTok e YouTube, que até o final da tarde de terça-feira permaneciam sem nenhuma publicação.
“No mais, pretendo usar minhas redes sociais de forma mais ativa, o que me permitirá manter um diálogo mais frequente com vocês”, diz. Na postagem, o ex-ministro também faz um resumo de sua biografia profissional. Barbosa foi o relator do escândalo do Mensalão petista no STF.
Mira no Mensalão transformou Joaquim Barbosa em símbolo de combate à corrupção
A atuação no processo do Mensalão transformou o então ministro em símbolo de combate à corrupção e de moralização institucional, imagem que ainda sustenta. Barbosa integrou o STF de 2003 a 2014.
O ministro se aposentou antecipadamente, abreviando sua permanência no tribunal em dez anos. Caso permanecesse no cargo, poderia seguir no STF até 2024, quando completaria 75 anos.
O ex-ministro também já foi filiado ao PSB e chegou a ser citado em 2018 como possível candidato à Presidência da República, mas a articulação não avançou. Em 2022, o nome do ex-presidente do STF voltou a circular como possível presidenciável em meio à polarização entre Jair Bolsonaro (PL) e Lula (PT). Apesar de sondagens e conversas partidárias, Barbosa recuou novamente e deixou o PSB.
VEJA TAMBÉM:
Falta combinar com os eleitores
Na semana passada, pesquisa de intenção de voto divulgada pelo instituto Quaest mostrou que o nome de Barbosa, até agora, não parece empolgar os eleitores mais do que outras opções colocadas na chamada terceira via. No cenário testado com o nome dele, Barbosa atingiu 1% das intenções de voto.
O desempenho do ex-ministro concentra-se principalmente na região Sudeste, onde chega a 2% das intenções de voto. No Centro-Oeste e no Norte, Barbosa mantém 1%, enquanto registra 0% nas regiões Sul e Nordeste.
A Genial/Quaest fez 2.004 entrevistas a domicílio com brasileiros de 16 anos ou mais entre os dias 5 e 8 de junho. A margem de erro é de dois pontos porcentuais e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-07661/2026.
Em outra pesquisa recente a situação é um pouco melhor, mas ainda muito longe de ser promissora. O nome de Barbosa foi testado pela pesquisa do instituto Nexus, em parceria com o Banco BTG Pactual, divulgada no dia 25 de maio. Em dois cenários estimulados de primeiro turno, Barbosa teve a preferência de 2% e de 3% dos entrevistados.
Foram 2.045 entrevistados pelo instituto Nexus entre os dias 22 e 24 de maio de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Banco BTG Pactual, com nível de confiança de 95% e margem de erro de 2 pontos percentuais (registro no TSE nº BR-04193/2026).
Nome de Joaquim Barbosa mantém entrave com Aldo Rebelo
No mês de maio, o Democracia Cristã (DC) oficializou a troca do pré-candidato à Presidência do partido: foi tirado da disputa Aldo Rebelo, que fez a maior parte da sua carreira política no PCdoB, e colocado o nome do ex-ministro do STF. A mudança foi anunciada pelo presidente nacional da legenda, João Caldas.
Sem ser consultado e contrariado em ser preterido, Rebelo partiu para o ataque contra a direção da própria legenda e disse que vai manter a pré-campanha presidencial. Com a recusa de Rebelo, a direção nacional do DC decidiu abrir um processo de expulsão contra ele.
Há cerca de duas semanas, um vídeo produzido com inteligência artificial foi divulgado pelo DC, com Joaquim Barbosa como pré-candidato nas eleições de 2026. Na animação, Barbosa, com a capa preta de ministro do STF, aparece caminhando diante de televisores que exibem notícias sobre suspeitas contra Lula e Flávio Bolsonaro.
“Joaquim Barbosa pode aparecer como figura de autoridade moral e externa ao jogo partidário mais tradicional, mas carece de estrutura nacional, palanques, base partidária robusta e demonstração de competitividade eleitoral”, avalia à Gazeta do Povo o economista e estrategista eleitoral Luis Carlos Burbano Zambrano. “Pode ser testado no jogo político, mas ainda não demonstra capacidade de ocupar o campo eleitoral”, afirma.
Na análise de Zambrano, nem Joaquim Barbosa nem nenhum outro nome da chamada “terceira via” apresenta no momento viabilidade eleitoral. “A terceira via voltou ao vocabulário da política, mas ainda não voltou ao centro do eleitorado. Ela tem mais espaço no debate de elites políticas, empresariais e partidárias do que nas intenções de voto”, afirma.
VEJA TAMBÉM:


