Política de imigração dos EUA é questionada pela ONU. (Foto: Bonnie Cash/EFE/EPA/POOL)
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A Copa do Mundo continua sendo a maior reunião da humanidade. Nenhuma outra situação ou evento concentra tanto as atenções e expectativas ao redor do planeta num mesmo foco. Em primeiro lugar, isso é saudável – especialmente por se tratar de entretenimento esportivo (e não política ou guerra). Mas há também significativos efeitos colaterais.
O fato de os EUA, uma das três sedes da Copa, estarem sob a presidência de Donald Trump tem sido um dos fatores mais presentes na comunicação em torno do evento. Todos os críticos de plantão da atual política da Casa Branca para imigração tiveram (e continuam tendo) os holofotes da Copa para o seu discurso de contornos humanitários. Seria ótimo se o ser humano fosse de fato o centro das preocupações desses críticos.
A dúvida se são mesmo é evidente. O termo de comparação é a política migratória de Joe Biden, o antecessor de Trump. A “flexibilidade” fronteiriça com supostos propósitos inclusivos teve alguns resultados desastrosos. Os mais visíveis foram a entrada de criminosos no país – que acabaram vitimando seres humanos inocentes – e a distorção eleitoral com votos de imigrantes ilegais.
É claro que a reação do governo Trump a essa política foi para as manchetes com o sotaque de sempre. Se o atual presidente comenta que o descuido do antecessor permitiu a ocorrência de crimes violentos nos EUA, a “interpretação” imediata é de que Trump chama imigrantes de assassinos. Boa parte da imprensa chegou ao ponto de retirar a palavra “ilegais” das notícias sobre ações na área de imigração. É preciso investir no bordão “Trump xenófobo”.
Será que a ONU vai repetir para o Canadá o apelo enfático que fez aos Estados Unidos?
A demagogia migratória é uma tragédia contemporânea, tanto na Europa quanto na América. Os aproveitadores de sempre criaram um ativo político que, no final das contas, na maioria das vezes não beneficia nem os cidadãos nativos, nem os próprios imigrantes. A ação da atual administração Trump tem sido essencialmente contrapor essa demagogia – o que hoje em dia é praticamente um ato de bravura, considerando-se as máquinas de perseguição a todos os que ousam se expressar de forma crítica sobre o tema.
Aí vem a ONU, em plena semana de abertura da Copa do Mundo, solicitar que os EUA “revejam” sua política de imigração durante a competição. Essa aparente bondade é um contrassenso intrínseco, sabendo-se o quanto eventos dessa dimensão se tornaram através da história oportunidade para atos políticos violentos e terrorismo. Ou seja: a ONU quis lacrar sob os holofotes da Copa.
“Espero sinceramente que repensem profundamente sobre as formas como as medidas de controle da imigração afetam os direitos humanos e a dignidade humana e que, especialmente às vésperas da Copa do Mundo, sejam revistas políticas que, infelizmente, temos visto prevalecer, sobretudo nos Estados Unidos”, disse Volker Turk, alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos.
Seria interessante saber o que o Sr. Volker pensa da ação de uma agência da ONU – denunciada pela administração Trump – que acobertava professores a serviço do grupo terrorista Hamas. Mais de uma centena de funcionários da agência para assistência a refugiados palestinos estavam envolvidos com o Hamas, muitos inclusive tendo participado do massacre de 7 de outubro de 2023. Será que a ONU não poderia “repensar” suas parcerias e colaborações obscuras com células de violência durante a Copa?
Aí um jogador de Gana cuja entrada foi aceita nos EUA acabou sendo barrado no Canadá. Ele tem um processo judicial em curso e pela lei canadense não pode entrar no país. Será que a ONU vai repetir para o Canadá o apelo enfático que fez aos Estados Unidos? Só no dia em que o Canadá for presidido por Donald Trump.
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