Faltam poucos minutos para mais uma edição do “Saideira”. E o tema desta semana promete despertar memórias, discordâncias e até alguma nostalgia. A partir da série documental “Brasil 70: A Saga do Tri”, o programa discute a relação entre futebol e política e tenta responder a uma pergunta que vem aparecendo cada vez mais nas conversas de bar, nas redes sociais e até nas famílias: por que a Copa do Mundo parece mobilizar menos os brasileiros do que mobilizava no passado?
Durante décadas, a Copa foi um daqueles raros momentos em que o país parecia falar a mesma língua. Ruas decoradas, bandeiras nas janelas, televisores ligados e uma expectativa coletiva que atravessava classes sociais, regiões e preferências partidárias. Hoje, pelo menos para muitos observadores, a sensação é diferente. O entusiasmo parece menor e a atenção nacional parece ter migrado para outros campos de disputa.
Instrumento de alienação
É nesse cenário que Paulo Polzonoff Jr., Francisco Escorsim e Omar Godoy se reúnem para uma conversa que mistura futebol, cultura, história e comportamento. A ideia não é apenas revisitar grandes momentos da Seleção Brasileira, mas refletir sobre a transformação do ambiente público brasileiro e sobre o espaço que o futebol ainda ocupa na vida nacional.
Entre os temas abordados está uma velha acusação que voltou a circular com força nos últimos anos: a de que o futebol serviria como instrumento de alienação, funcionando como uma espécie de “ópio do povo” ou como uma moderna política de pão e circo. O curioso é que um argumento historicamente associado à esquerda passou a ser repetido também por setores da direita, fenômeno que rende uma das discussões centrais do programa.
As Copas que vivemos
A conversa também passa por diferentes Copas do Mundo e por seus contextos políticos. Afinal, a Copa de 1970 foi apenas futebol? E as conquistas de 1994 e 2002? Existe alguma relação inevitável entre grandes eventos esportivos e disputas de poder? Ou estamos projetando sobre o passado debates que pertencem mais ao presente do que à história?
Naturalmente, o programa também olha para a Copa de 2026. Os participantes discutem se os brasileiros realmente compraram a ideia de que o futebol é uma distração conveniente ou se o desinteresse atual tem causas mais profundas, como a fragmentação cultural, a hiperpolitização do cotidiano e a competição cada vez mais intensa pela atenção das pessoas.
O Hexa vem?
Além das reflexões políticas e culturais, o episódio reserva espaço para lembranças pessoais, histórias de Copas inesquecíveis, prognósticos para o torneio recém-iniciado e recomendações de livros, filmes e músicas sobre futebol. Tudo no tom descontraído que caracteriza o “Saideira”.
A nova edição vai ao ar em instantes no canal da Gazeta do Povo no Youtube. Se você sente falta do Brasil que parava para ver a Seleção ou se acredita que nunca deveríamos ter levado futebol tão a sério assim, esta conversa foi feita para você. Afinal, antes do apito inicial da próxima partida, vale a pena discutir o que mudou dentro de campo e, principalmente, fora dele.


