O ministro Kassio Nunes Marques, do TSE, suspendeu uma pesquisa da AtlasIntel que apresentava um áudio do senador Flávio Bolsonaro aos entrevistados. A decisão, tomada após pedido do diretório do PL, gera debate sobre os limites entre a regulação da Justiça Eleitoral e a censura.
Como funcionava a pesquisa que foi interrompida?
Realizada pela internet, a pesquisa continha 48 perguntas. O ponto polêmico foram oito questões sobre um áudio de uma conversa entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Além das perguntas, os participantes assistiam ao vídeo do áudio e usavam um marcador digital para indicar se a reação ao conteúdo era positiva ou negativa. O instituto AtlasIntel defende que o método é comum em campanhas publicitárias e análises internacionais.
Quais motivos levaram à suspensão do levantamento?
Para o ministro Nunes Marques, a pesquisa usou ‘estímulos narrativos’ que poderiam induzir as respostas. Ele destacou o uso de termos como ‘escândalo’ e ‘esquema de fraudes’, que teriam o potencial de influenciar artificialmente a opinião do eleitor e aumentar a rejeição ao candidato antes mesmo das perguntas sobre intenção de voto. A decisão proíbe novas divulgações dos resultados até que documentos técnicos complementares sejam analisados.
O que a legislação brasileira diz sobre pesquisas eleitorais?
A lei exige que todos os levantamentos sejam registrados previamente na Justiça Eleitoral, detalhando a metodologia e o questionário. É proibido formular perguntas que induzam o entrevistado a uma resposta específica. Embora os institutos tenham autonomia técnica, a Justiça Eleitoral pode intervir se entender que a pesquisa está sendo usada como propaganda indevida ou se houver risco de desvirtuar a finalidade do levantamento.
Por que especialistas criticam a decisão do tribunal?
Críticos argumentam que a suspensão restringe o acesso do público a dados já divulgados e limita o debate político. Para alguns juristas, o período eleitoral é o momento em que a sociedade mais precisa de informações, e a intervenção frequente da Corte em conteúdos disponíveis na internet pode ser vista como uma barreira à liberdade de expressão, impedindo que o eleitor julgue por conta própria o contexto das informações.
O que acontece agora com o julgamento no TSE?
A decisão de Nunes Marques foi individual e provisória. O caso começou a ser julgado no plenário da Corte, onde os outros ministros darão seus votos para manter ou derrubar a suspensão. Atualmente, o processo está parado devido a um pedido de vista da ministra Estela Aranha. O resultado final será fundamental para definir parâmetros mais claros sobre o que os institutos podem ou não perguntar nas próximas eleições.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
VEJA TAMBÉM:


