Membros do Diretório Central de Estudantes (DCE) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) ocuparam o prédio de administração da instituição de ensino nesta segunda-feira (8), como forma de protesto por pautas não atendidas durante a negociação para pôr fim à “greve” dos estudantes, que completa um mês na próxima quinta-feira (18).
De acordo com a nota divulgada pelo DCE (íntegra), pesou na manutenção da tensão o suposto uso de uma ferramenta de inteligência artificial (IA) para analisar a carta de reivindicações. Com a análise, diz o diretório, a reitoria teria elencado poucas pautas como elegíveis para a negociação, o que representaria, em sua visão, descaso.
“Mesmo assim, a reitoria resolveu impor o encerramento das negociações, comemorando todo esse processo, chamando sua proposta de ‘resposta institucional robusta’ e dizendo se compromissar com as pautas que passaram por suposta cuidadosa avaliação”, continua o grupo estudantil.
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Para que o conflito se resolva, o DCE quer que sejam levadas em contas as pautas que incluem:
- Criação de um grupo de trabalho de Vigilância Nutricional, com paridade entre estudantes e servidores;
- Distribuição de cestas básicas a mães solo que utilizam as moradias estudantis;
- Participação de estudantes imigrantes e refugiados na elaboração de novos processos seletivos;
- Disponibilização de locais para servirem de sede para movimentos sociais;
- Criação de um grupo de trabalho para ampliar a contratação de professores da África;
- Criação da “Pró-reitoria de ações afirmativas, diversidade e equidade”;
- Treinamento da equipe de segurança do bloco de moradias estudantis para atendimento de vítimas de violência doméstica e sexual;
- Extinção da obrigação de cursar línguas estrangeiras para estudantes indígenas;
Nesta terça-feira (9), a reitoria divulgou uma carta aberta (íntegra) dizendo que reconhece a legitimidade das manifestações e que trabalha para aperfeiçoar as políticas universitárias. Em resposta à opinião dos estudantes de que as propostas apresentadas teriam sido insuficientes, a instituição decidiu tornar público o documento, que contém 32 promessas que incluem jantar no domingo, a criação de uma Comissão de acompanhamento das políticas de permanência trans e a tentativa de encontrar espaços que possam servir de sede a movimentos sociais.


