Sem segurança jurídica e econômica, os grandes investimentos não saem do papel. (Foto: Imagem criada utilizando Google Flow/Gazeta do Povo)
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O Brasil não carece de recursos naturais, inteligência ou capacidade empreendedora. Carece, sim, de liderança com autoridade moral, consciência histórica e espírito público. As próximas eleições presidenciais não podem ser reduzidas a uma disputa entre pessoas, partidos ou grupos ideológicos. Precisam colocar no centro do debate um projeto sério e ambicioso de país.
É urgente superar o “nós contra eles”, marca registrada de uma polarização paralisante e estéril. A política brasileira transformou adversários em inimigos. De um lado e de outro, multiplicam-se ressentimentos, radicalismos e desqualificações pessoais. Fala-se muito sobre o passado, mas pouco sobre o futuro. Discute-se quem deve ser derrotado, quando o essencial seria definir o que precisa ser construído.
A questão nacional precisa ocupar o cerne do debate eleitoral. Que país queremos ser nos próximos 20 ou 30 anos? Como transformar nossas riquezas em prosperidade compartilhada? Como recuperar a confiança nas instituições? Como oferecer educação de qualidade, empregos dignos e oportunidades reais aos jovens? Como reduzir a pobreza sem alimentar dependências? Como assegurar o equilíbrio ambiental sem condenar regiões inteiras ao atraso?
Somos vistos pelo mundo como um território de oportunidades. Mas continuamos agindo como se estivéssemos condenados à mediocridade
A desordem crescente da economia global – marcada por rupturas logísticas, conflitos geopolíticos, guerras e disputas por energia, minerais e alimentos – aumentou o valor estratégico das nações dotadas de recursos naturais. É exatamente o caso do Brasil. Somos uma potência ainda adormecida.
Temos uma das maiores reservas de terras agricultáveis do planeta. Cerca de 12% da água doce renovável do mundo encontra-se em nosso território. Dispomos de uma matriz energética relativamente limpa, petróleo, gás e vastas reservas de lítio, grafite, níquel, manganês e terras raras. Temos capacidade empresarial, base industrial, agricultura altamente produtiva e um povo criativo, trabalhador e resistente.
Poucos países reúnem tantas condições favoráveis para protagonizar uma nova etapa do crescimento mundial. Em um cenário de insegurança alimentar, crise energética e escassez de minerais estratégicos, o Brasil poderia desempenhar um papel decisivo. Somos vistos pelo mundo como um território de oportunidades. Mas continuamos agindo como se estivéssemos condenados à mediocridade.
Nosso desenvolvimento permanece bloqueado por um emaranhado de entraves burocráticos, insegurança jurídica, instabilidade regulatória e decisões contraditórias. Grandes investimentos são adiados. Obras fundamentais levam décadas para sair do papel. Projetos estratégicos são interrompidos por disputas judiciais intermináveis. O resultado é conhecido: empresas recuam, o capital procura outros destinos e milhares de empregos deixam de ser criados.
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Não se trata de negar a importância da preservação ambiental, do controle institucional ou da proteção das comunidades. Trata-se de impedir que instrumentos legítimos sejam distorcidos e convertidos em mecanismos de paralisia. Desenvolvimento e responsabilidade ambiental não são inimigos. Países maduros sabem conciliá-los com racionalidade, ciência e segurança jurídica.
O país precisa destravar seu desenvolvimento. Isso exige simplificar regras, reduzir a burocracia sufocante, garantir estabilidade regulatória e oferecer segurança a quem produz e investe. Exige também combater a corrupção com firmeza e consistência. A corrupção não é apenas um desvio moral. É um imposto invisível que penaliza sobretudo os mais pobres, encarece obras, distorce prioridades e destrói a confiança nas instituições.
As eleições presidenciais deveriam oferecer ao eleitor propostas concretas sobre infraestrutura, educação, ciência, tecnologia, segurança pública, equilíbrio fiscal, reforma do Estado e inserção internacional. Os candidatos precisam dizer claramente como pretendem integrar o território, modernizar portos e ferrovias, estimular a indústria, fortalecer o agronegócio, melhorar o ambiente de negócios e preparar os jovens para as novas exigências profissionais.
O país precisa destravar seu desenvolvimento. Isso exige simplificar regras, reduzir a burocracia sufocante, garantir estabilidade regulatória e oferecer segurança a quem produz e investe
O Brasil necessita de um presidente desenvolvimentista, mas desenvolvimento não significa irresponsabilidade fiscal, voluntarismo econômico ou distribuição de favores. Desenvolver é criar condições permanentes para que a economia cresça, a iniciativa privada floresça e as oportunidades cheguem a todos. É combinar responsabilidade social, liberdade econômica, estabilidade institucional e planejamento de longo prazo.
O verdadeiro líder sabe que nenhum grande projeto nacional será construído apenas pela direita, pela esquerda ou pelo centro. Será obra de todos os brasileiros de boa vontade. O país é maior do que os partidos, as ideologias e as ambições individuais. A reconstrução nacional exige diálogo, serenidade e capacidade de ouvir. Exige firmeza nas convicções, mas também respeito pelos que pensam de modo diferente.
A política brasileira foi capturada por agendas curtas, personalismos e conflitos permanentes. O debate público empobreceu. A visão estratégica desapareceu. O interesse nacional frequentemente cedeu espaço ao cálculo eleitoral. É preciso romper esse ciclo.
As próximas eleições apresentam uma oportunidade histórica. O eleitor não deve escolher apenas quem administrará o governo por quatro anos. Deve escolher um rumo.
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos
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