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Dom Pedro Fedalto faz 100 anos: a história do homem que mudou a Igreja Católica em Curitiba

Dom Pedro Antônio Marchetti Fedalto, arcebispo emérito de Curitiba, vai completar 100 anos no próximo dia 11 de agosto. Conhecido por ser um homem de hábitos simples, voltado à oração, dom Pedro conta que não esperava ser arcebispo de Curitiba, mas aceitou o desafio com fé, em 1971 e manteve perseverança por mais de 30 anos.

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“Grandes transformações estavam ocorrendo na história, na cultura, na ciência. E na Igreja houve o Concílio Vaticano II, que superou dezenas de estruturas já envelhecidas”, relata o atual arcebispo de Curitiba, dom Antônio Peruzzo.

“Isso trazia muitas certezas por parte de todos, mas não se sabia bem como lidar com o novo. Dom Fedalto ajudou a diocese a avançar, mas também a se manter equilibrada em tempos exigentes e desafiadores”, explicou dom Peruzzo.

Vocação de dom Pedro surgiu ainda na infância em Campo Largo

Dom Pedro conduziu a Arquidiocese de Curitiba por mais de três décadas, de 1971 a 2003. O arcebispo emérito nasceu na Colônia Antônio Rebouças, em Campo Largo, e foi o primeiro filho de uma família de agricultores descendentes de italianos.

Segundo o sobrinho Pedro Jacob Fedalto, dom Pedro teve uma infância simples, estudando e ajudando os pais nos afazeres da propriedade. O destino, porém, mudou quando um professor de catequese percebeu algo diferente no menino. “Foi o professor Luiz Lorenzi quem disse que iria conversar com os pais dele para colocá-lo no seminário”, conta.

De acordo com a Arquidiocese de Curitiba, em 1940, aos 13 anos, Pedro Fedalto ingressou no Seminário São José. A adolescência foi vivida entre estudos, oração e silêncio. Depois foi para o Seminário Central da Imaculada Conceição do Ipiranga, em São Paulo, onde cursou Filosofia e Teologia.

Quando retornava para visitar a família durante as férias, já demonstrava sinais da vocação que marcaria sua vida. “Ele subia em cima dos montes de milho no paiol e reunia irmãos e vizinhos para fazer sermões”, recorda o sobrinho.

Dom Pedro nunca foi pároco e passou por cargos de confiança antes de se tornar arcebispo

Ordenado sacerdote em dezembro de 1953, pelo arcebispo metropolitano dom Manuel da Silveira D’Elboux, sua trajetória seguiu um caminho incomum. Enquanto a maioria dos novos padres assumia paróquias, Fedalto foi escolhido para atuar diretamente ao lado do então arcebispo Dom Manuel da Silveira D’Elboux.

Tornou-se secretário pessoal do arcebispo, depois chanceler da Cúria, vigário-geral e bispo auxiliar. Nunca chegou a ser pároco. Chegou a ser cotado para ser arcebispo de Palmas. Mas Dom Elboux interviu, pois queria Fedalto como seu auxiliar em Curitiba.

“Ele conhecia profundamente a Arquidiocese e as comunidades. Isso teve muito peso quando foi escolhido para suceder dom Manuel”, explica o sobrinho.

Dom Pedro teve um dos mais longos arcebispados de Curitiba

A nomeação para arcebispo, feita pelo papa Paulo VI, foi recebida com surpresa. “Não era pretensão dele. Mas, depois de refletir e consultar pessoas próximas, aceitou a missão e procurou exercê-la da melhor maneira possível”, afirma Pedrinho.

A partir dali, começou uma das gestões mais longas da história da Igreja em Curitiba. Dom Pedro criou 11 novas pastorais, ampliou a presença da Igreja nos bairros com 74 novas paróquias, promoveu missões populares e incentivou vocações sacerdotais. Ele ordenou 74 padres e acolheu diversas congregações religiosas femininas e masculinas.

Para dom Peruzzo, o maior legado não está apenas nas obras ou estruturas criadas. “O maior testemunho de dom Pedro é sua fidelidade à vocação. Ele tinha uma paixão imensa pelo serviço de padre e de bispo. Era um homem profundamente identificado com sua missão”, afirma.

Dom Pedro ampliou a presença da Igreja e manteve diálogo com diferentes governos

O ex-prefeito de Curitiba e historiador Rafael Greca (PSD), afirma que dom Pedro viveu um arcebispado com a combinação entre proximidade humana e capacidade administrativa.

“Dom Pedro foi um executivo da Igreja. Multiplicou o acesso das pessoas à vida religiosa. Ele mesmo buscava entender o crescimento da cidade para saber onde seria necessário criar novas comunidades”, recorda Greca, que teve em dom Fedalto um incentivador e padrinho para seu casamento com Margarita Sansone.

O historiador aponta que dom Fedalto manteve diálogo com diferentes governos, sem abrir mão de suas convicções. Até mesmo na venda da Copel, na época do governo Jaime Lerner, ele interviu. “Ele foi sempre muito equilibrado, muito moderado, mas nunca cedeu nas suas opiniões”, resume Greca.

Entre os muitos capítulos de sua trajetória, a visita do papa João Paulo II, em 1980, marcou o arcebispado. “O papa jamais viria a Curitiba se não fosse dom Pedro Fedalto, com a ajuda de dom Jerônimo Mazzarotto e dos padres da missão católica polonesa no Brasil, através do saudoso padre Benedito Grinkoski. Eles convenceram o episcopado brasileiro a trazer o Papa para a mais eslava das províncias do Brasil, qual seja o Paraná, terra de polacos e de ucranianos e de muitos imigrantes estrangeiros”, afirma Greca.

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