Dois anos após as eleições municipais, os vereadores mais votados do país pretendem usar a disputa nas urnas de 2026 para tentar dar um salto das capitais estaduais para Brasília.
A lista dos parlamentares mais bem-sucedidos na soma de votos é dominada pela cidade de São Paulo, maior colégio eleitoral do país. E a estratégia eleitoral de lançar candidaturas à Câmara dos Deputados após sucesso no pleito municipal é replicada em outras capitais.
A maior metrópole do Brasil elegeu Lucas Pavanato (PL-SP), de 28 anos, que se tornou o vereador mais votado do país nas eleições de 2024. Ele obteve 161.386 votos dos paulistanos e, dois anos depois da primeira vitória nas urnas, lançou a candidatura a deputado federal.
Com passagem pelo MBL (Movimento Brasil Livre), Pavanato se tornou um influenciador com forte atuação política no TikTok e no Instagram, redes nas quais acumula cerca de 7,5 milhões de seguidores. Ele é uma das apostas do PL para assumir o posto de “puxador de votos” no estado de São Paulo. Nas últimas eleições, Carla Zambelli e Eduardo Bolsonaro cumpriram essa função.
Pavanato puxa a caravana paulistana de vereadores com mais de 100 mil votos que vão disputar as vagas na Câmara Federal neste ano. Entre os vereadores mais votados de São Paulo — e consequentemente do país — com candidaturas confirmadas estão Luna Zarattini (PT-SP), Rubinho Nunes (União-SP) e Sargento Nantes (PP-SP).
Outro exemplo é do ex-vereador carioca Carlos Bolsonaro (PL-SC), que foi o segundo vereador mais votado do país em 2024, quando foi reeleito para a Câmara Municipal do Rio de Janeiro com 130.480 votos. No ano passado, ele renunciou ao cargo e transferiu o domicílio eleitoral para Santa Catarina, onde fará dupla com Caroline De Toni (PL) na chapa pura do PL ao Senado. Neste ano, cada estado brasileiro elegerá dois senadores.
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Em outras capitais do país, os vereadores mais votados também pretendem usar o capital político para tentar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Com o apoio de padrinhos políticos, eles tentam alavancar a campanha nos estados.
É o caso da vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL-CE), a mais votada do Nordeste em 2024, quando recebeu 36.226 votos. Vice-presidente nacional do PL Mulher, Priscila é aliada de Michelle Bolsonaro e chegou a ser cotada como pré-candidata ao Senado com apoio da ex-primeira-dama.
Ela teria sido o estopim da briga pública de Michelle com Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A crise decorreu da articulação política do partido no Ceará, que apoiou a candidatura ao governo do tucano Ciro Gomes.
O candidato do PSDB terá Alcides Fernandes (PL) na vaga ao Senado. Assim, Priscila terá de disputar a eleição como candidata a deputada federal em vez de senadora, tendo se tornado uma das apostas como “puxadora de votos” do PL cearense.
Vereador mais jovem da atual legislatura de Curitiba, Guilherme Kilter (Novo-PR) foi o segundo mais votado em 2024, com 16.664 votos dos eleitores na capital paranaense. Ele estreou na política com o aval do ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol (Novo-PR) e deve ter novamente o apoio do padrinho, pré-candidato ao Senado nas eleições de outubro.
Bacharel em Relações Internacionais, a atuação parlamentar de Kilter é marcada pela defesa de pautas como liberdade econômica e proteção da família. Além de Dallagnol, Kilter tem o apoio de Pavanato e do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG).
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