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Por que o Hino Nacional importa

Belo e Alcione massacram o Hino Nacional. (Foto: Reprodução/TV Globo)

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Me lembro de quando Fafá de Belém foi achincalhada apenas por alterar a melodia do Hino Nacional. Foi no funeral de Tancredo Neves. Faz tempo. Muitos anos depois, a cantora Vanuza, sob efeito de remédios, se enrolou toda para cantar o Hino – e foi um auê. Também teve o caso do Hino em versão woke de Guilherme Boulos. E há alguns dias foi a vez de Belo e Alcione massacrarem o Hino Nacional no último amistoso da seleção antes da Copa.

Sempre que o Hino Nacional é vilipendiado assim, acontece alguma coisa dentro da gente. Um incômodo difícil de descrever, quanto mais explicar. Temos um carinho especial por aquelas palavras cuja sintaxe muitas vezes não compreendemos. Pelas rimas que decoramos na escola. Por palavras como “fúlgidos”, “lábaro” e “clava”. Sem pesquisar, alguém aí sabe o que é um lábaro? Enfim, temos carinho por toda aquela exaltação das virtudes pátrias que a mim me parecem bem distantes da realidade. Se bem que, se o Hino falasse a real, não seria hino. Aí é que tá.

Virundum

O Hino Nacional importa. Até para mim, que não me considero nacionalista nem patriota. Eu que estou mais para um brasileiro acidental, do tipo que curte a natureza e a cultura do país, mas que não daria a vida por ele. Tá louco?! O Hino importa porque, quando começa o virundum, atiça uns negócios na gente. A memória de vitórias esportivas. Senna no topo do pódio. Aquelas manhãs frias no pátio do Madalena Sofia. A sensação vaga de que gaúchos e roraimenses têm algo em comum.

E, se importa como símbolo de união, é natural que o Hino Nacional seja desprezado por quem vê nessa união algo que vai contra seus interesses de controle e poder. Afinal, um povo desunido é mais fácil de conquistar, como diz o chavão. Povo sem bandeira, sem brasão e sem Hino é povo sem identidade. Povo que não é povo. Povo sujeito à dominação, ao saque e à pilhagem de riquezas que não se restringem ao ouro ou à terra. Repare como a alegria e o orgulho brasileiros se esvaíram nas últimas décadas. Foi por acaso? Agora resta saber se dia 13, quando o Brasil entrar em campo contra o Marrocos, vai rolar aquele nó na garganta. Aquela lágrima.

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