Governo e imprensa celebram recorde no IDH, mas inflação, dívidas e perda de poder de compra revelam a realidade por trás dos números. (Foto: Towfiqu barbhuiya/Pexels)
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O Brasil atingiu pela primeira vez o patamar de “muito alto desenvolvimento humano”, noticiou a imprensa. A propaganda bem embalada possivelmente é um componente do desenvolvimento humano nos dias de hoje.
Esse patamar sem precedentes alcançado pelo Brasil na escala do desenvolvimento humano foi divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Os componentes básicos dessa medição estão nas áreas de saúde, educação e renda, aferidos em âmbito municipal. O tom da notícia — conforme publicada pela maior parte da imprensa — é de que a vida no Brasil melhorou.
Ou, dito de outra forma: a vida no Brasil melhorou no governo Lula em ano de eleição.
Se algum recorte específico de qualidade de vida, com algum método específico de aferição e alguma forma específica de leitura e divulgação, gera um resultado aparentemente positivo, apresentar isso genericamente como um salto para o país fica um tanto exótico. Mas não chega a ser misterioso, considerando-se o papel que a ONU tem desempenhado na esfera do ativismo político.
O que a conjuntura apresenta neste mesmíssimo momento é um recorde de endividamento das famílias e um crescimento preocupante da inadimplência
O endividamento do poder público também cresce fortemente, alimentado por déficits fiscais em todos os anos da atual administração. Qual é a reação do governo atual a esse problema? Continuar gastando — como atestam as atas do Comitê de Política Monetária do Banco Central.
Os gastos públicos sob o governo petista são o principal combustível da inflação — que acaba de ter o pior mês de maio em dez anos e ficará fora da meta em 2026, segundo todas as previsões. Esse quadro impedirá uma redução consistente da taxa de juros no curto prazo — a não ser que haja injunção política sobre o BC, o que agravaria ainda mais a situação no médio prazo.
Com o poder de compra da população caindo e o endividamento aumentando, ao mesmo tempo em que o Estado perde capacidade de investir (e o investimento privado também decai), o desenvolvimento humano do país precisa de planilhas engenhosas para bater recorde positivo. E, naturalmente, nenhum economista especializado em políticas creditícias haverá de considerar derramamento de dinheiro sem lastro como apreciação de renda. O país recordista em desenvolvimento humano está amarrado a um contrato de empobrecimento.
Quem se importa? Essa estrutura contemporânea de propaganda política, que se espalhou pelo mundo, investe exatamente nisso: ações demagógicas que invariavelmente concentram renda nas castas burocráticas e endinheiradas sob o verniz da benevolência “progressista”. O único polo de enfrentamento real a esse truque é o atual governo dos EUA. Não à toa, Trump é vilão para essa imprensa que divulga humanismo de folhetim.
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