O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia retomar as relações com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para agilizar a votação de propostas de interesse do governo, entre elas o fim da escala 6×1 e a PEC da Segurança Pública. O governo e parlamentar estão rompidos desde abril quando o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, foi rejeitado para assumir uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF).
A avaliação de uma retomada das relações ocorre no momento em que Lula precisa conseguir aprovar as duas propostas que serão suas bandeiras na campanha eleitoral deste ano em que tentará um quarto mandato. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE), sinalizou que, por parte de Alcolumbre, há um interesse de conversar com o presidente.
“Ele [Alcolumbre] diz, reiteradamente: quer sentar com o presidente e recompor a relação. É isso. [Lula] está avaliando”, afirmou Guimarães em entrevista ao jornal O Globo publicada no último final de semana.
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No final do mês de abril, o Senado impôs uma derrota histórica a Lula ao rejeitar a indicação de Messias ao STF por 42 votos contrários e 34 a favor (era preciso 41 favoráveis entre os 81 senadores). O mal-estar entre Alcolumbre e o presidente, no entanto, já se arrasta desde o ano passado após o petista não ter indicado o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a Corte – era o preferido do mandatário do Congresso.
Desde então, Alcolumbre tem retaliado o governo com pautas-bomba e segurado propostas de interesse, como a PEC da Segurança Pública, que passou na Câmara e aguarda análise do Senado. Agora, com a proposta do fim da escala 6×1, há o temor de que haja um atraso ainda maior – o que Guimarães tenta minimizar e, até mesmo, negar.
“Não se pode interditar a discussão de um tema nacional como esse. Eu e o Hugo (Motta) estamos trabalhando para buscar um encaminhamento que permita a votação imediata, sem protelamento no Senado”, pontuou o ministro.
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José Guimarães afirmou que Lula ainda não se prontificou a conversar com Alcolumbre apenas por conta da agenda de compromissos com eventos oficiais e entregas do governo que visam uma boa propaganda para a campanha eleitoral.
“O presidente teve uma agenda muito frenética nesses dias. Eu vivi todas as campanhas do presidente, mas nessa, em especial, nunca vi tanta coisa para ser mostrada”, afirmou.
Na semana passada, Lula afirmou que mandará novamente ao Senado a indicação de Messias ao STF para fazer valer a sua prerrogativa constitucional. No Congresso, no entanto, há um clima de desconfiança se ele conseguirá fazer aprovar ou haverá uma nova derrota.

