O fim da escala 6″1 é a nova picanha. Em 2022, Lula prometeu picanha e entregou abóbora. Em 2026, ele promete redução de jornada e entregará inflação, desemprego e colapso. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
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Minha mãe não gostava que usássemos a palavra “desgraçado”, e hoje eu entendo por quê. Desgraçado é aquele que não possui mais a graça de Deus, e não existe tragédia maior do que essa.
No entanto, com o perdão de D. Aracy, devo confessar que algumas vezes me falta outro termo para definir o regime político brasileiro. A máfia luloalexandrina é uma desgraça para o Brasil e, com o objetivo de manter-se no poder, não hesitará em causar mais um desastre social de proporções gigantescas.
Como sabemos, a mais recente atrocidade do regime é o fim da jornada 6×1, obra de Erika Hilton, parlamentar do PSOL.
Todo mundo sabe que o fim da 6×1 será um desastre: o governo sabe, os políticos sabem, os economistas sabem, a esquerda sabe, a direita sabe, o Centrão sabe. Mas ninguém ousa dizer a verdade, por medo de perder votos.
Ora, está claro que o fim da escala 6×1 é a nova picanha. Em 2022, Lula prometeu picanha e entregou abóbora. Em 2026, ele promete redução de jornada e entregará inflação, desemprego e colapso
Thomas Sowell, um dos maiores economistas do século XX, tem o hábito de fazer três perguntas diante de qualquer proposta de política pública. Façamos o exercício com Hilton.
“Em comparação com o quê?” O Brasil já ocupa o 94º lugar no ranking mundial de produtividade — um trabalhador americano produz por quatro brasileiros. Reduzir a jornada sem aumentar a produtividade é receita certa para o encolhimento do PIB.
“E depois?” As empresas repassarão os custos ao preço dos produtos, demitirão os trabalhadores mais caros — ou seja, os mais velhos — e substituirão homens por máquinas. A informalidade disparará. Os alimentos ficarão mais caros. Os imóveis, idem. A crise logística conduzirá ao desabastecimento. À aniquilação das pequenas empresas corresponderá o triunfo dos tubarões amigos do governo.
“A que custo?” A um custo que recairá exatamente sobre aqueles que a proposta diz proteger: os pobres e a classe média, que verão seu poder de compra reduzido, além dos 83,3% de brasileiros endividados, num país que, no último ano, já deu um salto exponencial em recuperações judiciais.
Em 2017, Olavo de Carvalho escreveu:
“Quando Santo Agostinho diz que as virtudes são feitas da mesma matéria que os vícios, isso quer dizer que só nos livramos dos vícios quando, em vez de lutar em vão para eliminá-los, os transfiguramos em virtudes pelo poder da oração. A brutalidade pode transformar-se em autossacrifício heroico, a sensualidade pode transformar-se em culto da beleza e da bondade, e assim por diante.”
O problema é que, quando se perde a graça de Deus, o contrário também pode ocorrer (e Olavo sabia disso). A caridade, quando desfigurada pelo diabo, torna-se o seu oposto: a inveja, disfarçando-se sob o nome de “justiça social”. O mesmo ocorre, muitas vezes, com a diligência e a esperança, transformadas em preguiça e desespero pela mentalidade revolucionária.
A verdadeira intenção do governo não é simplesmente acabar com a jornada 6×1, mas, sobretudo, instituir a jornada 0x7 — aquela em que todos dependem do Estado para sobreviver. Já são 94 milhões de brasileiros vivendo de bolsas e auxílios governamentais. A proposta de Hilton é um salto no abismo da servidão administrada. O caos social programado para 2027 será o produto de quem semeia a dependência para reinar sobre as ruínas.
A desgraça, como ensinava minha mãe, é a ausência da graça de Deus. E a graça, aqui, acha-se na verdade dita em voz alta, sem medo e sem demagogia. Evitamos a desgraça quando recusamos o silêncio covarde e exigimos respeito à realidade, à produtividade, à liberdade de trabalhar e empreender.
Nenhum governo que depende de 94 milhões de dependentes é um governo que quer o bem do povo. Só vamos sair dessa espiral de engano quando nos recusarmos a trocar a graça da autonomia pela escravidão da tutela estatal.
Ou encaramos a realidade, ou sofreremos as consequências de ignorá-la.
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