Na audiência geral de 27 de maio, o papa Leão XIV pediu aos sacerdotes que respeitem as “normas da liturgia” e não façam mudanças na missa “por iniciativa própria”, a fim de evitar confundir os fiéis.
“Encorajo todos os sacerdotes a respeitar os textos e as normas da liturgia com abertura, humildade, confiança na grandeza de Deus e com sincera fidelidade à comunhão eclesial”, disse o papa em suas palavras na Praça de São Pedro.
O Concílio Vaticano II “afirmou que o progresso legítimo na liturgia também deve preservar a sã tradição, e que certos elementos da liturgia nunca podem mudar porque são instituídos divinamente”, disse ele.
A catequese de Leão na quarta-feira deu continuidade às suas reflexões sobre o magistério do Concílio Vaticano II, concentrando-se na constituição Sacrosanctum Concilium, promulgada por São Paulo VI em 4 de dezembro de 1963. É um dos documentos mais importantes a emergir do concílio, uma vez que transformou a maneira como os católicos celebram a missa.
O papa ofereceu uma visão histórica do contexto em que o Vaticano II foi convocado, observando: “Naquele momento da história, havia um forte senso da necessidade de uma renovação das formas rituais através das quais, por séculos, a Igreja havia glorificado a Deus e santificado o povo cristão.”
Ele também ressaltou que, graças ao movimento litúrgico, havia se desenvolvido a convicção — mais tarde expressa por São João Paulo II — de que “existe um vínculo muito estreito e orgânico entre a renovação da liturgia e a renovação de toda a vida da Igreja. A Igreja não apenas age, mas também se expressa na liturgia, vive da liturgia e extrai da liturgia a força para sua vida” (Carta Dominicae Cenae, 13).
O pontífice refletiu sobre a Sacrosanctum Concilium, que, segundo ele, buscava “encorajar o acesso dos fiéis à riqueza dos dons da graça dispensados pela sagrada liturgia”. O papa destacou a fórmula adotada pelos padres conciliares: “Que a sã tradição seja mantida e, no entanto, o caminho permaneça aberto ao progresso legítimo.”
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Papa citou Bento XVI
Para aprofundar essa ideia, o papa citou o papa Bento XVI, que explicou que o “programa de reforma” dos padres conciliares buscava “um equilíbrio entre a grande tradição litúrgica do passado e a do futuro”.
Bento XVI disse que “tradição e progresso são frequentemente opostos de forma desajeitada”, mas o falecido papa observou que “na verdade, os dois conceitos se fundem: a tradição é uma realidade viva, que, portanto, inclui em si mesma o princípio de desenvolvimento, de progresso”.
Leão XIV disse que o progresso referido pela Sacrosanctum Concilium “de modo algum compromete a comunhão eclesial: pelo contrário, busca confirmá-la e fomentá-la”.
Ele enfatizou que “mudanças desse tipo têm ocorrido constantemente ao longo dos séculos para permitir que os fiéis participem frutuosamente, por meio de ações rituais, do Mistério Pascal de Cristo, fundamento da fé cristã”.
“Para o bem de toda a Igreja, toda reforma deve sempre ser precedida por uma cuidadosa investigação ‘teológica, histórica e pastoral'”, disse o Santo Padre. “O Magistério do Concílio, desta forma, pede assim que se evite a confusão entre os fiéis, desencorajando qualquer pessoa de adicionar, remover ou alterar qualquer coisa em assuntos litúrgicos por iniciativa própria.”
O culto da Igreja, acrescentou, foi “incorporado” nas formas culturais de cada época e foi capaz de influenciá-las e até transformá-las. “A liturgia tem sido, assim, por séculos, uma força motriz para a evangelização. Hoje, essa energia deve ser renovada em continuidade com a autêntica e viva tradição católica, isto é, de acordo com uma dinâmica voltada para introduzir os crentes na plenitude da verdade”, disse.
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Preocupação com a guerra
Em um apelo ao final da audiência, Leão expressou sua preocupação com uma recente intensificação da guerra na Ucrânia. O Santo Padre disse que estava confiando todos os afetados pela guerra à proteção de Maria, Rainha da Paz.
“Desejo expressar minha solidariedade com todos aqueles que sofrem como resultado dos recentes ataques, que também atingiram civis”, disse. “A guerra não resolve problemas; ela os exacerba”, disse.
“Não constrói segurança; multiplica sofrimento e ódio. Onde mísseis e drones caem, esperanças são esmagadas, casas e locais de culto são destruídos, e vidas inocentes são ceifadas.”
©2026 Catholic News Agency. Publicado com permissão. Original em inglês: Pope urges priests to respect ‘norms of the liturgy’ to avoid confusion at Mass https://www.ewtnnews.com/vatican/pope-urges-priests-to-respect-norms-of-the-liturgy-to-avoid-confusion-at-mass


