Itajaí, em Santa Catarina, assumiu a liderança brasileira na exportação de barcos em 2026, somando US$ 4,3 milhões apenas no primeiro quadrimestre. O crescimento é impulsionado pela expansão da fábrica da Azimut Yachts e pelo sucesso do Marina Itajaí Boat Show, que atrai mercado e investimentos.
Qual empresa está impulsionando esse crescimento?
A grande protagonista é a Azimut Yachts. A fábrica em Itajaí é a única unidade do grupo italiano fora da Europa e responde por até 15% de toda a produção mundial da marca. A empresa anunciou um investimento de R$ 120 milhões para ampliar sua estrutura até 2028, o que permitirá a fabricação de megaiates de luxo que custam cerca de R$ 90 milhões cada. Com isso, a meta é alcançar um faturamento de R$ 1 bilhão.
Por que Itajaí foi escolhida como polo náutico?
A escolha não foi por acaso. A cidade possui um setor náutico muito desenvolvido e uma rede de fornecedores preparada para as exigências de embarcações de alto padrão. Além disso, a região já tem uma ‘cultura do mar’ consolidada e infraestrutura de marinas que servem tanto para o lazer quanto para a manutenção dos barcos, facilitando a logística industrial e comercial.
Quem são os principais compradores desse mercado?
O perfil do comprador brasileiro amadureceu e hoje é muito exigente, similar ao mercado externo. O eixo de consumo liga três estados principais: São Paulo, que lidera as compras; Rio de Janeiro, com destaque para Angra dos Reis; e Santa Catarina, que é forte tanto na compra quanto no uso dos barcos. Já no mercado externo, os principais destinos das embarcações fabricadas em Itajaí são Uruguai, Argentina, Colômbia e Venezuela.
Quais são os principais obstáculos para o setor continuar crescendo?
O grande gargalo é a infraestrutura física. Embora as vendas de barcos cada vez maiores estejam em alta, o país carece de marinas preparadas para receber embarcações de 30 metros ou mais. Especialistas apontam que é necessário investir em tecnologia para levantar barcos de 200 toneladas e oferecer serviços completos de pós-venda e manutenção, para que o ciclo de investimentos não fique travado pela falta de vagas e suporte técnico.
Como a sustentabilidade e o emprego entram nessa conta?
A sustentabilidade virou prioridade comercial, com foco em motores híbridos, energia solar e materiais recicláveis, já que um barco passa 90% do tempo parado. Além disso, o impacto social é enorme: a economia do mar gera cerca de 250 mil empregos em Santa Catarina. Construir um iate é comparado a fazer uma casa flutuante, exigindo carpinteiros, eletricistas e técnicos altamente qualificados, formados em centros de treinamento na própria cidade.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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