A facilidade de subornar autoridades e viver com documentos falsos é apontada pelo promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo (Gaeco), como fato-chave que leva integrantes de PCC e Comando Vermelho a se esconder na Bolívia. (Foto: Wikimedia Commons)Lideranças do Comando Vermelho e do PCC estão migrando para a Bolívia para gerenciar crimes transnacionais. Operações recentes em Santa Cruz de La Sierra revelam que o país vizinho virou a base estratégica dessas facções devido à facilidade de corrupção e circulação de drogas e armas.
Quais grupos criminosos estão atuando na Bolívia?
As duas maiores organizações criminosas do Brasil, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), estabeleceram estruturas sólidas no país vizinho. Eles utilizam o território boliviano como esconderijo para seus líderes foragidos e como centro de comando para operações de tráfico de drogas e armas que abastecem estados como Bahia, Ceará, Rio de Janeiro e São Paulo.
Por que os criminosos preferem a Bolívia ao Paraguai?
Historicamente, o Paraguai era o esconderijo favorito. No entanto, houve uma migração para a Bolívia devido à maior facilidade em subornar autoridades locais e à simplicidade de obter documentos falsos para viver sem serem incomodados. Além disso, a Bolívia é um dos maiores produtores de cocaína do mundo, o que coloca os chefes das facções diretamente na fonte do produto que comercializam.
Como as facções se organizam em solo boliviano?
O Comando Vermelho, por exemplo, possui uma hierarquia bem definida com um ‘Conselho Final’ que toma decisões estratégicas. Recentemente, criminosos conhecidos como ‘Zeus’ e ‘Bronix’ foram identificados como gestores das ações do grupo em cidades como Santa Cruz de La Sierra e Trinidad. Já integrantes do PCC foram flagrados atuando até na segurança pessoal de grandes narcotraficantes internacionais.
O que a polícia encontrou nos esconderijos recentes?
Em batidas policiais em chácaras de luxo, foram apreendidos arsenais de guerra, incluindo dezenas de fuzis, carabinas e pistolas. Além das armas, as autoridades localizaram grandes quantias em dólares, drogas, veículos e, curiosamente, fardamentos da própria polícia boliviana, o que reforça a suspeita de infiltração dos criminosos nas instituições locais.
O que está sendo feito para combater esse avanço?
Existe um fortalecimento na cooperação internacional. O Brasil passou a chefiar uma força-tarefa da Interpol na América do Sul, com sede em Buenos Aires. Essa iniciativa permite que policiais da região cruzem dados financeiros, biometria e registros de apreensões em tempo real, resultando em um aumento no número de prisões de líderes brasileiros que se acreditavam seguros fora do país.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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