O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou neste sábado (16) que não vai desistir após a revelação de um áudio de setembro de 2025, vazado e publicado no site Intercept Brasil, em que ele pede dinheiro ao empresário Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master.
“Eles me subestimaram, mais uma vez, achando que vão me intimidar, achando que vão me calar. Eles esqueceram de uma coisa. Aqui ó, tem sangue de Bolsonaro! Eu não vou desistir do meu Brasil. Eles despertaram uma força ainda maior dentro de mim, de lutar pelo meu país”, discursou o senador em Sorocaba (SP).
Desde a revelação dos diálogos, na última quarta-feira (13), o senador se defendeu alegando que cobrou Vorcaro por pagamentos atrasados, a partir de um contrato de financiamento privado para a produção do filme.
Preso sob investigação de fraudes financeiras, Vorcaro foi procurado por Flávio para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo o Intercept, ele teria se comprometido, em dezembro de 2024, a investir US$ 24 milhões de dólares na produção, equivalente a de R$ 134 milhões à época. Desse total, segundo a reportagem, US$ 10,6 milhões de dólares (cerca de R$ 61 milhões, considerando a cotação do dólar nos períodos das transferências) teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025, a partir de uma empresa no Brasil para um fundo nos Estados Unidos.
Neste sábado (16), Flávio iniciou o discurso dizendo que amanheceu com uma passagem bíblica na cabeça: “aquele que na dificuldade é fraco, é porque é realmente um fraco”, afirmou, numa paráfrase do verso 24:10 (“Se te mostras fraco no dia da angústia, a tua força é pequena” – no discurso, ele falou, equivocadamente, que se tratava do verso “14:10”).
Depois, passou a criticar o governo Lula, dizendo o país hoje “está de pernas para o ar”. “Está tudo ao contrário. A gente faz o certo e eles transformam no errado. Eles fazem o errado e querem fazer vocês acreditarem que é o certo. Quem tinha que estar preso está comandando o Brasil. E quem tinha que estar solto é alvo da maior covardia que nós já vimos aqui nesse país”, afirmou, em referência ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Depois, em apoio aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023, criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) e o ministro Alexandre de Moraes.
“Foram vítimas dessa maior farsa que a história já viu, capitaneada por um ministro do Supremo Tribunal Federal, para interferir nas eleições, desequilibrar a disputa, escolher seus alvos pré-determinados, escolher quem seriam os investigadores, decidir que provas seria aceitas, condenar com base em criações, sem fundamento, sem prova.”
Afirmou, em seguida, que vai honrar as pessoas. “Vão junto com o presidente Bolsonaro subir aquela rampa do Palácio do Planalto em 2026, junto com a gente.”
“Eu quero falar olhando no olho de cada um de vocês que está aqui. Ergam a cabeça, estufem o peito, porque a força está do nosso lado, a verdade está do nosso lado. Lula disse há pouco tempo que ia fazer o diabo para conseguir se reeleger. Ele só esqueceu de uma coisa, ele está com o diabo, a gente está com Deus. E nós vamos vencer, porque o bem sempre vence o mal”, afirmou em seguida.
Apesar de frequentemente associada a Lula e ao PT por opositores e críticos, a declaração citada por Flávio foi proferida pela ex-presidente Dilma Rousseff em 2013, antes de concorrer à reeleição no ano seguinte.
“Nós podemos disputar eleição, nós podemos brigar na eleição, nós podemos fazer o diabo quando é a hora da eleição. Agora, quando a gente está no exercício do mandato, nós temos que nos respeitar porque fomos eleitos pelo voto direto do povo brasileiro”, afirmou a ex-presidente em 4 de março daquele ano, durante entrega de casas populares em João Pessoa (PB).
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