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Por que o Super El Niño de 2026 ameaça os preços dos alimentos no Brasil?

Semeadura em solo seco em 2015, em razão de El Niño: naquele ano, evento de forte intensidade levou a uma queda de 9,5% na produção nacional de grãos (Foto: Albari Rosa/Gazeta do Povo/Arquivo)

Aumentaram as chances de formação de um Super El Niño de intensidade excepcional ainda em 2026, conforme projeções meteorológicas de maio. O fenômeno climático deve afetar a produtividade do agronegócio e pressionar a inflação de alimentos no Brasil, revertendo o alívio nos preços ao consumidor.

O que é um Super El Niño e qual sua intensidade atual?

O El Niño ocorre quando as águas do Oceano Pacífico se aquecem de forma anormal, mudando o clima mundial. Em 2026, as projeções mostram um aquecimento de até 3,2°C, o que o coloca na categoria de ‘super’ devido à força extrema. Esse patamar é maior do que o registrado em 1997, um dos anos mais marcantes da história, indicando que o evento atual pode ser um dos três mais intensos desde o século 19.

Como esse fenômeno climático altera as chuvas no Brasil?

A dinâmica do país fica dividida. No Sul, o fenômeno costuma trazer chuvas intensas e enchentes. Já no Norte e Nordeste, o efeito é contrário, provocando secas rigorosas. No Centro-Oeste e Sudeste, as chuvas tornam-se irregulares. Essa bagunça no clima atrapalha o calendário do produtor rural, que não sabe ao certo quando plantar e colher, exigindo gastos inesperados com irrigação ou drenagem de solo.

Qual é o principal risco para o agronegócio em 2026 e 2027?

O maior perigo não é apenas uma quebra total da safra, mas a instabilidade. Na região Sul, o excesso de umidade facilita o surgimento de doenças nas plantas e estraga a qualidade dos grãos. Já no centro do país, o fim antecipado das chuvas pode prejudicar a segunda safra do milho. Para 2027, o risco de estresse hídrico (falta de água para as plantas crescerem) ganha muita força em partes do Norte e Nordeste.

De que forma o consumidor final será afetado nas prateleiras?

Quando a produção no campo cai ou o custo para produzir aumenta, o preço sobe nos supermercados. Especialistas estimam que o fator climático pode adicionar quase 1 ponto percentual à inflação geral de 2026. Em eventos passados, como em 2024, o impacto foi tão grande que o El Niño sozinho foi responsável por encarecer a comida no prato do brasileiro em mais de 2%, mostrando que o clima mexe diretamente com o nosso bolso.

Quais lições ficaram de eventos extremos do passado?

A história mostra que fenômenos fortes trazem prejuízos bilionários. Em 2015, a produção nacional de grãos caiu quase 10%. Na década de 90, o El Niño extremo provocou a morte de milhares de pessoas no mundo e o colapso da produção no Nordeste brasileiro, gerando crises de fome. Além da produção, a infraestrutura sofre: rios da Amazônia secam, parando o transporte de cargas, enquanto chuvas no Sul destroem estradas, encarecendo o frete.

Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

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