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Com Ormuz sob bloqueio, EUA batem recorde de exportação de petróleo

Os Estados Unidos bateram recorde na exportação de petróleo bruto em meio ao impasse sobre o fim da guerra no Irã e o bloqueio do Estreito de Ormuz. Segundo os dados mais recentes da Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA), o país ultrapassou a marca de 5 milhões de barris por dia após a interrupção do tráfego pela passagem marítima, por onde circulava cerca de 20% do petróleo bruto mundial antes da guerra no Irã.

Na última semana de abril, os EUA exportaram em média 5,3 milhões de barris de petróleo por dia. Antes do início do conflito no Oriente Médio, em 28 de fevereiro com ataques americanos e israelenses contra o Irã, as vendas externas americanas giravam em torno de 4,1 milhões de barris diários.

O avanço reflete a busca de países da Europa e da Ásia por fornecedores alternativos diante da perda de oferta provocada pelo fechamento do Ormuz. De acordo com o jornal britânico Financial Times, a demanda externa também levou os EUA a um recorde nas exportações de combustíveis refinados, como gasolina, diesel e querosene de aviação, que superaram 8,2 milhões de barris por dia na semana passada – alta de mais de 20% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O impasse sobre o Estreito de Ormuz ampliou o peso dos Estados Unidos no abastecimento global. Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), cerca de 13 milhões de barris de petróleo por dia foram perdidos por causa da guerra no Irã, o que gerou interrupções relevantes no fornecimento. A alta nas exportações representa ganho para as empresas americanas de energia, mas também cria um desafio político para o presidente Donald Trump.

Analistas estimam que o setor pode obter fluxo de caixa adicional de US$ 60 bilhões (R$ 297 bilhões, na cotação mais recente) neste ano se os preços permanecerem elevados. Ao mesmo tempo, o preço médio da gasolina nos EUA chegou ao maior nível em quatro anos, aumentando a pressão sobre consumidores americanos e afetando a popularidade de Trump, em pleno ano eleitoral.

Mesmo com o aumento da oferta americana ao exterior, o petróleo segue muito acima do patamar anterior à guerra. Os contratos futuros do petróleo intermediário do Texas (WTI), referência do mercado americano, permanecem acima de US$ 90 (R$ 440) por barril. O preço está quase 50% maior do que há três meses, antes do início do conflito.

Para tentar conter os custos internos, Trump anunciou a liberação de 172 milhões de barris da Reserva Estratégica de Petróleo dos Estados Unidos. A medida busca ampliar a oferta em um momento em que cresce a preocupação com a queda dos estoques americanos.

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