A Polícia Federal e a PGR consideram insatisfatória a proposta de delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do banco Master. Investigadores acreditam que o empresário omitiu detalhes sobre relações com ministros do STF e tentou proteger políticos, enquanto a PF já possui provas independentes.
Por que a delação de Daniel Vorcaro foi considerada fraca?
Os investigadores avaliam que os relatos de Vorcaro apenas confirmam o que a polícia já descobriu por conta própria. Além disso, houve falta de profundidade sobre suas relações com os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Suspeita-se que o empresário esteja tentando poupar aliados políticos para manter uma rede de apoio, o que retira o interesse das autoridades no acordo.
Qual é a situação atual do empresário no processo?
Daniel Vorcaro está em uma cela especial na Superintendência da PF em Brasília desde que manifestou interesse em colaborar. No entanto, devido à inconsistência das propostas apresentadas por sua defesa, já se cogita transferi-lo de volta para o Complexo Penitenciário da Papuda, onde estava detido inicialmente em março de 2026.
Como a Polícia Federal está conduzindo as investigações?
A PF atua de forma independente e já analisou celulares do banqueiro que continham milhares de arquivos, vídeos e registros de encontros com políticos. Ao todo, 80 aparelhos de diversos investigados estão sob perícia. A estratégia é fortalecer o caso com provas materiais, como documentos e dados eletrônicos, evitando que a investigação dependa apenas de depoimentos de delatores.
Quais são os riscos de anulação desse caso no futuro?
Existe o receio de que o processo sofra questionamentos semelhantes aos da Lava Jato, especialmente após críticas do ministro Gilmar Mendes sobre o uso de prisões preventivas. Se a Justiça considerar, futuramente, que uma prisão foi mantida de forma abusiva para forçar uma delação, todas as provas derivadas desse acordo podem ser invalidadas pela Corte.
O que acontece se outros investigados decidirem colaborar?
Este é um complicador para Vorcaro. Caso outros alvos da Operação Compliance Zero, como o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, fechem acordos de delação primeiro, o depoimento do dono do banco Master perderá ainda mais valor estratégico, já que os investigadores terão acesso às informações por outras vias.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
VEJA TAMBÉM:


