Na corrida do empreendedorismo, Estados Unidos incentivam o empresário, enquanto o Brasil só lhe coloca obstáculos. (Foto: Imagem criada utilizando ChatGPT/Gazeta do Povo)
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Certo dia, colocaram para o grande economista da Escola Austríaca Ludwig von Mises (1881-1973) a seguinte pergunta: por que os Estados Unidos conseguiram prosperar tanto mais que a maioria de todos os demais países? Mises respondeu com a seguinte afirmação: “O povo dos Estados Unidos é mais próspero que os habitantes de todos os outros países porque seus governos resistiram a adotar políticas de obstrução dos negócios e sempre incentivaram a economia”.
Há outras causas da prosperidade norte-americana, as quais influenciaram na determinação do sucesso daquele país. Mas a resposta genérica de Mises revela qual foi o pilar principal sobre o qual todo o êxito econômico foi construído.
A pobreza não é um destino invencível, sobretudo nos países possuidores de recursos naturais abundantes e condições geopolíticas favoráveis aos investimentos e à produção. Mesmo assim, grande é o número de países que, embora premiados com recursos abundantes, seguem no atraso e na pobreza.
Essa realidade mostra que, embora importantes, as riquezas naturais não são suficientes para deixar rico o país que as possui. Se o país tem instituições de baixa qualidade, baixo nível educacional, governo intervencionista, baixo conhecimento tecnológico e políticas que obstruem os negócios, o crescimento econômico e o desenvolvimento social não acontecem.
Os países mais prósperos são os que adotam a liberdade de mercado, têm legislação trabalhista simples e não obstruem os negócios com burocracia
Como consequência, o preço que a nação paga pelo atraso é grande e cruel, a começar pelo alto desemprego, fenômeno esse que mais castiga os trabalhadores e suas famílias. Além de ser uma tragédia individual, o desemprego é uma grave doença social por negar ao ser humano os meios de sua subsistência.
O Brasil tem pouco mais de 213 milhões de habitantes, dos quais 106 milhões têm condições de trabalhar. Em torno de 13 milhões trabalham no setor estatal – prefeituras, estados e União –; logo, sobram 93 milhões para o setor privado, dos quais em torno de 8 milhões estão desempregados.
Nessa conta, restam 85 milhões de trabalhadores privados que estão empregados, mas grande parte é de subempregados, trabalhando menos de oito horas por dia ou, mesmo com jornada diária integral, ganhando pouco, muitas vezes menos que o salário mínimo.
No Brasil, a geração de vagas de trabalho bem remuneradas é baixa, por várias razões. Primeiro, a crença geral é a de que ter empregado no Brasil é um mau negócio. Segundo, a instabilidade econômica inibe a abertura de vagas. Terceiro, a economia nacional cresce pouco, sem o que não há como aumentar as vagas.
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Como quarta causa, o baixo nível educacional e a insuficiente qualificação profissional de boa parte dos trabalhadores desestimulam as contratações. Quinto, a rotatividade da mão de obra é grande e muitas das demissões viram ações trabalhistas – esse problema é uma chaga do sistema econômico brasileiro.
Os países que mais geram empregos e têm sucesso na elevação do produto nacional e da renda do trabalho são os que adotam a liberdade de mercado, legislação trabalhista simples e não obstruem os negócios com burocracia estatal pesada e exigências descabidas.
Nos países em que a carga tributária é alta, a intervenção do governo na economia é excessiva, e a burocracia estatal é inchada e pesada, o resultado é a insegurança jurídica e ambiente ruim para fazer negócios e produzir. É justamente assim que o Brasil aparece nos rankings mundiais.
O fato é que o atraso do Brasil é obra dos brasileiros, do governo e da sociedade, confirmando o que disse Shakespeare na peça Hamlet: “Está em nós mesmos, meu caro Brutus, e não nas estrelas, as causas de nossas desgraças”.
Onde a carga tributária é alta, a intervenção do governo na economia é excessiva, e a burocracia estatal é inchada e pesada, o resultado é o ambiente ruim para produzir
No Brasil, o desestímulo ao empreendedorismo é a norma. As leis, as instituições, a alta carga tributária, os regulamentos e a burocracia inibem o espírito empreendedor, coisa de que o país mais precisa.
O empreendedor é aquele que tem a disposição e a iniciativa para sonhar, planejar e executar projetos, atividades e negócios. É ele que transforma uma ideia em um negócio e dá materialidade aos sonhos e ao progresso material necessário à melhoria do padrão de vida de todos.
Muitas são as histórias de homens que construíram impérios por enxergarem oportunidades que ninguém viu. É o caso de Aristoteles Onassis, o armador grego, que se tornou um dos homens mais ricos do mundo por ter ousado comprar navios velhos durante a Segunda Guerra Mundial.
Os amigos de Onassis diziam que ele estava louco, mas a guerra acabou, o comércio internacional expandiu e Onassis ficou bilionário alugando a preços altos os navios velhos que ele comprara enquanto o sangue corria nas ruas. Pensemos nisso!
Conteúdo editado por: Marcio Antonio Campos
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