VILLA NEWS

O que ninguém fala sobre o fim da escala 6×1

Vendem o fim da escala 6″1 como solução social, mas ignoram a baixa produtividade do Brasil e o risco de mais desemprego e informalidade. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil.)

Ouça este conteúdo

O governo tenta o seu último projeto para colher frutos eleitorais: o fim da escala 6×1, reduzindo a carga de trabalho de até 44 horas semanais para 40 ou 36 horas na semana. Parlamentares de esquerda e do centrão também apoiam o projeto, visando às suas reeleições na Câmara dos Deputados.

A classe política, seja por ignorância econômica ou por má-fé, vende para a população que, com o fim da escala 6×1, a pessoa vai trabalhar menos e continuar ganhando o mesmo salário. Essa realidade só seria possível se, com a redução da jornada de trabalho, houvesse aumento da produtividade, o que não parece ser o caso.

Com a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, isso significa uma diminuição de 9% da carga de trabalho. Num cálculo simples, a produtividade deveria subir próximo de 10% para compensar essa perda e manter o mesmo nível de produção. O problema é que não há nenhuma evidência de que a produtividade vai aumentar no Brasil. Pelo contrário, os dados sugerem um desempenho ruim do produto por hora trabalhada.

De acordo com um estudo recente da FGV, a produtividade da indústria caiu 23% em 30 anos. Já a produtividade por hora trabalhada apresentou queda média de 0,9% ao ano, enquanto, na construção civil, a redução foi de 0,4% a.a.

Numa comparação entre países, o Brasil ocupa a 94ª posição no ranking mundial de produtividade da Organização Internacional do Trabalho (OIT), num total de 184 nações.

Esses dados sugerem que o fim da escala 6×1 não deverá trazer ganhos de produtividade para as empresas. Se isso ocorrer, haverá aumento do custo da hora trabalhada, levando a um aumento de custos nas firmas, que poderá ser compensado pela elevação do preço de mercadorias, demissões e aumento da informalidade.

Seria muito mais inteligente uma proposta que flexibilizasse totalmente o mercado de trabalho, como ocorre nos EUA. Quem quiser trabalhar 60 horas por semana teria a liberdade para isso. E quem optar por 20 horas semanais também teria essa opção

Mas, num país em que prevalece uma visão marxista de que o empresário explora o trabalhador, esse tipo de solução é impensável para a maioria da classe política, que vê o Estado como o grande árbitro nas relações humanas e econômicas, por enxergar a economia como um jogo de soma zero.

Como observou o brilhante economista Thomas Sowell, essa visão é uma falácia baseada na falsa crença de que tudo o que alguém ganha é perdido por outra pessoa. No entanto, como bem pontuou o economista, “as transações econômicas — entre empregador e empregado, entre inquilino e proprietário, ou o comércio internacional — não continuariam a ocorrer se não fosse melhor para ambos os lados fazê-las do que não”.

Sugiro que os deputados leiam Fatos e Falácias da Economia, de Thomas Sowell, antes de votarem o fim da escala 6×1.

VEJA TAMBÉM:

Você pode se interessar

Encontrou algo errado na matéria?

Comunique erros

Use este espaço apenas para a comunicação de erros

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *