Não sabia quanto tinha custado aquela criação da Justiça Eleitoral, o Pilili – quer dizer, a Pilili, porque é uma urna. A ministra Cármen Lúcia pode até dizer que não tem gênero, que é neutro, mas neutro não existe na língua portuguesa, que é o idioma oficial do Brasil segundo o artigo 13 da Constituição, que a ministra tem de respeitar. Ou é a Pilili ou é o Pilili, não tem neutro, não temos o “it” do inglês. E ainda assim o inglês chama navio de “she”.
Mas, voltando ao custo, a agência contratada para fazer a publicidade do TSE recebeu R$ 6 milhões. O TSE vende o quê? Vende voto, vende urna, vende eleição? Para quê um contrato de propaganda? Durante décadas e décadas, nunca vi a Justiça Eleitoral ou o governo fazer propaganda de si próprio. Governo não vende sabonete; governo “vende” serviços ou obras. E, quando oferece bons serviços e boas obras, nem precisa fazer propaganda, porque as ações do governo já falam por si, são a melhor propaganda.
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Dizem que é a “propaganda da democracia”, mas é o contrário. Se isso é o símbolo da democracia, estão achando que a cidadania é um bando de bebês chorões, de crianças, porque aquilo ali está mais para Zé Gotinha. É algo feito para meninos e meninas de 5 ou 6 anos, que não votam. Cármen Lúcia diz que se dirige aos que vão votar aos 16. Mas todo mundo sabe que quem está no fim da adolescência detesta ser tratado como criança, quer ser adulto.
A Justiça Eleitoral tinha de se preocupar com a baixa confiança nas urnas, 53% em uma pesquisa Quaest de fevereiro. Essa Pilili – parece o Cebolinha dizendo que está com diarreia – é um desastre de comunicação de R$ 6 milhões, que saíram de onde mesmo? De Taiwan, de Marte? Não: foi do seu trabalho. E às vezes você nem nota, porque pode não pagar tanto imposto direto, mas paga em tudo o que consome. Algo que custaria R$ 50 sai por R$ 70 porque você teve de deixar R$ 20 para o governo. É assim que as coisas funcionam, e na hora de votar você tem de saber escolher uma pessoa que vai gastar bem o seu dinheiro em bons serviços públicos de segurança, saúde, ensino.
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Depois das brigas, Lula e Trump ensaiam aproximação
Lula e Donald Trump estão em uma fase de abertura. Lula fez questão de repetir várias vezes na entrevista que deseja recuperar a parceria histórica e a amizade entre Brasil e Estados Unidos. Somos do mesmo continente, do mesmo mundo ocidental, compartilhamos dos mesmos valores judaico-cristãos. E temos uma história de parceria. Os norte-americanos foram os primeiros a reconhecer os nossos sistemas de governo. Estivemos juntos tanto na Primeira quanto na Segunda Guerra Mundial – na Primeira, mandamos um bom contingente de médicos e enfermeiras e alguns poucos oficiais; na Segunda Guerra, enviamos a Força Expedicionária Brasileira e o Grupo de Aviação de Caça, e deixamos quase 500 brasileiros que entregaram a vida pela libertação da Europa do jugo nazifascista.
Neste 8 de maio, comemora-se a vitória aliada na Europa; o último a assinar a rendição pelos alemães foi o marechal-de-campo Wilhelm Keitel — o general Alfred Jodl havia assinado na véspera. O terceiro escalão de brasileiros da FEB, acho que com 1,6 mil combatentes, desfilou em Lisboa (de onde eu falo agora), a pedido de António Salazar e com o aval de Eurico Dutra, ministro brasileiro da Guerra, e depois presidente da República. Nós desfilamos na Avenida da Liberdade, com todo o significado que isso tem. O interessante é que desfilamos diante de um ditador, e no Brasil também havia um ditador semelhante, Getúlio Vargas, que foi derrubado logo depois, muito por causa do que havia ocorrido na Europa: como tínhamos derrotado ditaduras na Europa, não fazia sentido ter uma ditadura no Brasil.


