O primo do banqueiro Daniel Vorcaro, Felipe Cançado Vorcaro, foi o único a ser preso nesta quinta-feira (7) durante a quinta fase da operação Compliance Zero, que culminou em uma busca e apreensão na casa do presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI). Felipe é apontado como integrante do núcleo financeiro e operacional do esquema investigado no caso Master.
A prisão temporária, determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, foi motivada por uma tentativa de fuga durante o cumprimento de um mandado em um imóvel em Trancoso (BA).
A tentativa de fuga ocorreu durante a segunda fase da operação, em janeiro. De acordo com a Polícia Federal (PF), a fuga teria ocorrido minutos antes de sua chegada. Para concluir que não ocorreu uma saída comum, mas uma fuga, os investigadores consideraram o cenário encontrado: “quarto aberto, ar-condicionado em funcionamento, roupas de cama desarrumadas e pertences pessoais deixados para trás”.
A investigação também constatou “a ausência completa de dispositivos eletrônicos pessoais, notadamente aparelhos de telefonia e computadores”, o que representaria uma “retirada seletiva de objetos” cruciais para revelar o esquema de favorecimento de políticos.
As câmeras de segurança reforçam a suspeita de que o primo de Vorcaro ficou sabendo da operação pouco antes da chegada dos policiais: de acordo com o relatório, Felipe mostrou seu celular a outra pessoa e, depois disso, ambos embarcaram em um carrinho de golfe. As imagens cortam para nove minutos depois, quando a PF chega pelos fundos do imóvel.
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Saída de empresa investigada reforçou suspeitas
O pedido a Mendonça menciona ainda que Felipe saiu da presidência da Green Investimentos um dia depois da deflagração da primeira fase. Graças a Vorcaro, Ciro Nogueira teria comprado 30% da empresa por R$ 1 milhão, enquanto o valor de mercado era de R$ 13 milhões. A estimativa é de que, com isso, o investimento se pagaria em menos de dois anos, graças à parte da Green na Trinity Energias Renováveis.
“Tais comportamentos denotam, em juízo perfunctório, o potencial acesso do investigado a informações privilegiadas, que o permitem se evadir de determinado local minutos antes da abordagem policial (segunda fase) e adotar providências buscando ocultar a relevância da sua real posição no esquema delitivo (primeira fase)”, entende Mendonça.
Após os cinco dias, o ministro deve reanalisar o caso e decidir se converte a prisão temporária em preventiva.
A Gazeta do Povo tenta contato com a defesa de Felipe, com a Trinity e com a Green Investimentos. O espaço segue aberto para manifestação.
O que diz a defesa de Ciro Nogueira
Por meio de nota, a defesa repudiou qualquer “ilação de ilicitude”. A defesa diz que o senador está à disposição da justiça para comprovar que não teve qualquer participação nos fatos investigados. Além disso, criticou “medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros”, chamando-as de precipitadas e comparando-as ao “uso indiscriminado de delações premiadas”.

