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Homens são torturados e forçados a assumir crimes antes de serem executados no Irã

Denúncias enviadas pela ONG Rede de Direitos Humanos do Curdistão (KHRN, na sigla em inglês) ao jornal israelense The Jerusalem Post revelaram que três presos executados pelo regime do Irã recentemente foram submetidos a tortura física e psicológica e forçados a confessar crimes que negavam ter cometido. Eles também foram alvos de processos marcados por falta de acesso adequado a advogados e restrições de contato com familiares.

Os casos detalhados pela KHRN envolvem três homens executados no último final de semana na prisão central de Orumiyeh: Yaghoub Karimpour, de 43 anos, e Nasser Bakerzadeh, de 26, foram enforcados no sábado (2), e Mehrab Abdollahzadeh, de 28, foi executado no domingo (3). Segundo a organização, nenhuma das famílias foi informada previamente sobre a execução dos homens – embora a lei iraniana garanta uma visita final -, e os corpos não foram enviados às famílias, que também estão proibidas de realizar cerimônias religiosas em memória dos executados.

O caso de Karimpour é um dos mais detalhados na denúncia. Cidadão azerbaijano-turco com múltiplas deficiências físicas, ele foi acusado de repassar informações ao Mossad, serviço de inteligência de Israel. Em carta escrita em janeiro e compartilhada com o The Jerusalem Post, Karimpour descreveu dois meses de torturas em um “centro de detenção escuro do Ministério da Inteligência” do Irã antes de ser transferido para Orumiyeh, onde foi executado. O julgamento dele, de acordo com a carta, durou menos de 15 minutos, e foi realizado por videoconferência, sem sua presença física. A denúncia contra o homem foi alterada para um crime passível de pena de morte no próprio dia da audiência.

Bakerzadeh, comerciante curdo sunita que trabalhava com turismo, foi acusado de espionagem em favor de Israel. Segundo relato gravado enviado à Rede de Direitos Humanos do Curdistão (KHRN), ele disse ter sido abordado em 2023 por agentes da Guarda Revolucionária Islâmica à paisana e levado para interrogatório sobre um contato chamado “Hashem”, com quem afirmava colaborar apenas em projetos turísticos. De acordo com o The Jerusalem Post, o Supremo Tribunal do Irã reconheceu em duas ocasiões que a acusação não havia comprovado ligação entre Hashem e Israel, e chegou a reduzir a pena de Bakerzadeh para dez anos. Mesmo assim, a sentença de morte foi restabelecida depois de nova e rápida revisão do caso.

Mehrab Abdollahzadeh, por outro lado, não foi acusado de espionagem. Ele foi condenado pela morte de um agente de segurança durante os protestos “Mulher, Vida, Liberdade”, de 2022. Segundo a KHRN, Abdollahzadeh negou a acusação até o fim e afirmou ter sido preso após se recusar a espionar sua própria comunidade para a Guarda Revolucionária Islâmica. Em relato à organização, ele disse que foi amarrado a uma cadeira, espancado por uma semana, submetido a tortura psicológica e pressionado a assinar uma confissão. Abdollahzadeh também afirmou que agentes iranianos lhe deram substâncias alucinógenas e ameaçaram sua família.

O padrão descrito nos três casos não é isolado. Segundo relatório anual de 2025 da ONG Iran Human Rights Monitor (Iran HRM), as prisões iranianas tornaram-se espaços sistemáticos de repressão, com transferências punitivas, confinamento solitário prolongado, negação deliberada de cuidados médicos e trabalho forçado.

Para Rebin Rahmani, da KHRN, as execuções deste fim de semana têm um objetivo claro: “O regime quer espalhar medo e intimidação entre as pessoas”, disse ao The Jerusalem Post, acrescentando que as ações buscam afastar os iranianos de qualquer forma de protesto ou contato com Israel.

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