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Copom volta a citar indisciplina fiscal do governo ao definir Selic

O Comitê de Política Monetária (Copom) voltou a citar a indisciplina fiscal do governo, com impacto na dívida pública, como ponto de preocupação e impeditivo para um corte maior na taxa de juros. A análise foi divulgada na ata da última reunião, publicada nesta terça-feira (5).

“O Comitê reafirma a visão de que o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade”, diz o documento.

Na reunião da última quarta-feira (29), o Comitê decidiu manter a redução em um ritmo gradual, cortando mais 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros (Selic), que passou a 14,50% ao ano, sob a justificativa da necessidade de “serenidade e cautela na condução da política monetária” e com a menção aos conflitos no Oriente Médio como prejudiciais à estabilização do preço de ativos e produtos brutos (commodities).

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Com isso, o histórico demonstra uma redução gradual após uma manutenção de oito meses em patamar elevado:

  • Janeiro de 2025: 13,25%
  • Março de 2025: 14,25%;
  • Maio de 2025: 14,75%;
  • Junho de 2025: 15%;
  • Março de 2026: 14,75%;
  • Abril de 2026: 14,50%.

Voltando ao cenário nacional, o colegiado citou a desaceleração do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Em 2024, esse crescimento foi de 3,4%, passando a 2,3% no fechamento de 2025. De acordo com analistas ouvidos para a produção do boletim Focus, 2026 deve encerrar com crescimento de 1,85% na soma de riquezas da nação.

“No cenário atual, caracterizado por forte aumento da incerteza, o Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”, conclui a ata.

 

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