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Professora é condenada a quase dez anos de prisão por chamar aluno de preto

Uma professora da rede estadual de Piraju, no interior de São Paulo, foi condenada pelo Tribunal de Justiça do estado (TJ-SP) a nove anos e dez meses de prisão, em regime fechado, por dizer a um aluno do terceiro ano do ensino médio que ele “não fica nem vermelho, porque é preto”. Na sentença de 9 de março, o juiz Tadeu Trancoso de Souza afirmou que a atitude da docente denota “conteúdo de conotação racista, com o intuito de ofender e menosprezar a vítima”, o que deixou “bem evidenciado” o crime de injúria racial (lei 7.716/89).

Interrogada em juízo, a professora confirmou ter dito a frase, “reconhecendo tratar-se de uma colocação infeliz”, segundo o magistrado. Ela, porém, negou a ofensa, argumentando que a fala ocorreu em um contexto de brincadeira e que sua conduta teve exclusivamente caráter disciplinar, sem intenção de humilhar ou ofender o aluno. O caso ocorreu em 2023.

De acordo com o depoimento dela, ao ser advertido sobre estar conversando na aula, o estudante passou a retrucar, alegando ser comunicativo. A professora contou ao tribunal que o chamou de “cara de pau” e, em meio ao nervosismo, acabou proferindo a frase “não fica nem vermelho, porque é preto”.

“Condutas de injúria racial e racismo devem ser prontamente combatidas a fim de se obter uma sociedade justa e solidária, respeitando-se todos os indivíduos em condição de igualdade”, disse o magistrado na sentença. O juiz também entendeu como agravante para a pena o fato de a professora ser servidora pública, “o que torna sua conduta ainda mais reprovável”. Além dos nove anos, dez meses e três dias de prisão, em regime inicialmente fechado, ela foi condenada a pagar 80 dias-multa e uma indenização de 20 salários-mínimos ao aluno. A docente também perdeu o cargo público no estado. Ainda cabe recurso da sentença.

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