Davi Alcolumbre e Hugo Motta resistem à instalação da CPMI do Banco Master enquanto articulam a análise do veto à dosimetria no Congresso (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)
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Diz a manchete na Folha de SP: “Cúpula do Congresso sinaliza votar pena menor a Bolsonaro se pressão por CPI do Master esfriar”. O próprio presidente do PL, Valdemar Costa Neto, parece reconhecer a situação. Disse que não tem dúvidas de que Michelle Bolsonaro e Nikolas Ferreira apoiarão a candidatura de Flávio Bolsonaro com empenho, pois se Flávio perder, Bolsonaro ficará preso por anos.
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Ou seja, todos admitem que a prisão de Jair Bolsonaro foi um ato político, e que sua soltura depende de condições políticas. O recado da cúpula do Congresso é claro: lute contra a CPI do Banco Master que, quem sabe?, a prisão domiciliar pode ficar mais próxima da realidade. O nome disso, claro, é chantagem, da mais abjeta e escancarada possível.
Justamente por isso eu e alguns outros achávamos que Bolsonaro deveria ter saído do Brasil. Hoje ele é refém de bandidos, e sua liberdade é usada como moeda de troca para que a maior liderança da direita atue contra os principais interesses da nação.
Entender que estamos lidando com uma máfia que não mede esforços para atingir seus objetivos é fundamental para evitar tropeços comprometedores. É preciso adotar premissas realistas sobre quem é Moraes e o poder arbitrário que ele e seus cúmplices acumularam nos últimos anos
Sei que não era uma decisão fácil: se Bolsonaro permanecesse nos Estados Unidos, seria acusado de covarde, fujão e insensível diante da prisão dos inocentes do 8 de janeiro. Mas é importante mostrar o alto custo de sua escolha. Talvez ele tenha pensado que nunca chegaria a esse ponto, mas se foi isso, então foi muita ingenuidade. Não custa lembrar que Bolsonaro chegou a fazer piada durante seu julgamento, “convidando” Alexandre de Moraes para ser seu vice na chapa.
Talvez Bolsonaro tenha mesmo acreditado em certa blindagem garantida pelo centrão. Afinal, após chamar Moraes de canalha numa manifestação e afirmar que não seguiria mais decisões ilegais do Supremo, ele procurou Michel Temer para interceder e tentar acalmar as coisas com o ministro. Claro que deu tudo errado.
Entender que estamos lidando com uma máfia que não mede esforços para atingir seus objetivos é fundamental para evitar tropeços comprometedores. É preciso adotar premissas realistas sobre quem é Moraes e o poder arbitrário que ele e seus cúmplices acumularam nos últimos anos. Caso contrário, acaba-se como refém desse sistema podre, censurado, calado e tendo de trocar a independência por gestos conciliatórios em busca de um alívio na situação de preso político.
Derrubar o veto de Lula no PL de Dosimetria é crucial, pois temos ainda presos políticos no país. Mas alguns bolsonaristas querem transformar a pauta da manifestação do primeiro de março em “anistia” e nada mais, diluindo o chamado pelo “Fora Moraes” e o “Fora Toffoli”.
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Alguns chegaram a articular uma “estratégia de xadrez 4D” de que só devemos pedir o impeachment dos ministros em 2027, “quando” Flávio for o presidente. Isso ignora o risco de ele perder e a janela de oportunidade óbvia que surgiu, quando a velha imprensa e até a OAB passaram a criticar o STF por seus abusos.
Claro que desejamos – na verdade exigimos – a soltura de Jair Bolsonaro e dos demais presos políticos. Mas justamente por conta desses abusos todos é que temos a obrigação de lutar, mais do que nunca, pelos impeachments de Moraes e Toffoli. Bolsonaro, infelizmente, perdeu a independência de análise ao ser refém dessa corja e estar sob evidente chantagem. Isso não impede, porém, que nós tenhamos a clareza do que o momento atual exige dos cidadãos: pressão total pela saída desses dois ministros corruptos e autoritários do STF. Fora Toffoli! Fora Moraes!
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