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Fusão nuclear pode transformar geração de energia, dizem especialistas

Fusão nuclear pode transformar geração de energia, dizem especialistas

Fusão nuclear pode transformar geração de energia, dizem especialistas
Tecnologia reproduz reações que ocorrem no Sol e promete reduzir resíduos radioativos, mas ainda enfrenta desafios para uso comercial
Pesquisadores estudam o uso da fusão nuclear como alternativa para a geração de energia elétrica. A tecnologia reproduz o processo que ocorre no núcleo do Sol e pode oferecer maior segurança e produzir menos resíduos radioativos do que as usinas nucleares convencionais.
Diferentemente da fissão nuclear, utilizada atualmente nas usinas comerciais e que consiste na divisão de núcleos atômicos pesados, a fusão combina núcleos leves, como os de deutério e trítio, para liberar energia.
Segundo Gustavo Canal, professor do Instituto de Física da USP (Universidade de São Paulo), o processo produz hélio e nêutrons, que concentram cerca de 80% da energia liberada na reação.
Em entrevista publicada pelo Jornal da USP em 28 de outubro de 2026, o pesquisador explicou que um dos principais obstáculos para a exploração comercial da tecnologia é a necessidade de atingir temperaturas de aproximadamente 150 milhões de graus Celsius.
Nessas condições, o combustível se transforma em plasma, estado da matéria necessário para viabilizar as reações de fusão. O aquecimento e o confinamento desse material exigem tecnologias complexas e elevado consumo de energia.
Um dos principais projetos internacionais é o Iter (Reator Termonuclear Experimental Internacional), em construção na França. O equipamento foi projetado para produzir 10 vezes mais potência de fusão do que a potência utilizada diretamente para aquecer o plasma.
SEGURANÇA E APLICAÇÕES
O professor Thiago Mastrangelo, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da USP, afirma que a fusão nuclear apresenta potencial para ser mais segura do que a fissão, por não oferecer o mesmo risco de acidentes associados ao derretimento do combustível nuclear.
Apesar disso, a tecnologia não é totalmente livre de riscos. As altas temperaturas e os nêutrons produzidos nas reações podem afetar os materiais dos reatores e criar resíduos radioativos.
Segundo Mastrangelo, a fusão também pode ter aplicações além da produção de eletricidade, como a geração de hidrogênio, a dessalinização da água e a produção de radioisótopos utilizados na medicina.
Embora apresente potencial para ampliar a oferta de energia, a tecnologia ainda está em desenvolvimento e depende de avanços técnicos para se tornar comercialmente viável.
Este texto foi publicado originalmente pelo Jornal da USP, em 28 de outubro de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360.

Fonte: Poder360

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