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Por que o general Figueiredo decretou o feriado de Nossa Senhora

Por que o general Figueiredo decretou o feriado de Nossa Senhora

Por que o general Figueiredo decretou o feriado de Nossa Senhora
Dia 12 de outubro é feriado nacional por causa de uma lei sancionada pelo último presidente militar do Brasil
Os brasileiros celebram no dia 12 de outubro o Feriado Nacional de Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil. A data faz alusão a uma das invocações da Virgem Maria, mãe de Jesus Cristo, conforme a tradição cristã. A folga nesse dia se tornou lei pela sanção do presidente militar João Batista Figueiredo, em 1980. A motivação foi a visita do papa João Paulo 2º ao Brasil.
Todos os anos, milhares de fiéis se deslocam na data para o Santuário Nacional, em Aparecida (SP), para ter contato com a imagem. A romaria é um dos maiores movimentos de fé católica do mundo.
O feriado de 12 de outubro é o único essencialmente católico do Brasil. Os outros feriados religiosos –Sexta-feira Santa, Corpus Christi, Finados e Natal– são cristãos, abarcando seguidores de outras denominações, como os evangélicos.
A data ser considerada feriado nacional, determinando a folga dos trabalhadores, é alvo de críticas desde a sua promulgação em 1980. Parte pelo Estado brasileiro ser laico, outra pela celebração de Nossa Senhora Aparecida ser predominantemente de uma única religião.
No dia 12 de outubro também é comemorado o Dia das Crianças, celebração com maior apelo comercial.
Lei teve influência do papa
O feriado de 12 de outubro foi instituído pela lei 6.802 de 1980, promulgada pelo presidente militar João Figueiredo (1918-1999). Nossa Senhora Aparecida já havia sido declarada padroeira do Brasil em 1930 pelo papa Pio 11 (1857-1939).
A origem do feriado foi um projeto de lei do deputado Jorge Arbage (1924-2020), apresentado ao Congresso no ano anterior. O objetivo era tornar a data um feriado nacional, já que algumas cidades, como Brasília e Aparecida (SP), já tinham leis dando folga na referida data.
Figueiredo sancionou a lei em 30 de junho de 1980. O dia também foi marcado pela chegada do papa João Paulo 2º (1920-2005) para uma viagem de 12 dias. Era a 1ª vez que um papa visitava o país.
O sacerdote viajou por 13 capitais e para Aparecida, onde abençoou o Santuário Nacional –então chamado de Basílica Nova– e elevou a igreja ao título de Basílica Menor. Realizou uma missa na esplanada do edifício que foi acompanhada por 300 mil pessoas, segundo estimativa do próprio Santuário Nacional.
A origem do Santuário de Aparecida
O Santuário Nacional é o maior templo católico do Brasil e um dos maiores do mundo. Tem capacidade para 30 mil pessoas. A sua pedra fundamental foi lançada em 1946 e a abertura efetiva ocorreu em 1982.
A classificação do santuário passou por transformações pela Igreja ao longo das décadas. Chegou ao título de Basílica Menor, que é o maior título concedido a igrejas pelo mundo. Está atrás em nível de importância só das Basílicas Maiores –todas situadas no Vaticano.
De onde vem o símbolo
O maior atrativo do Santuário Nacional é uma imagem de 36 centímetros de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, feita de terracota, que foi resgatada por 3 pescadores em 1717, no rio Paraíba do Sul. Tratam-se de João Alves, Felipe Pedroso e Domingos Garcia.
Os homens eram responsáveis por conseguir peixe para um banquete que seria servido a Dom Pedro de Almeida e Portugal, conhecido como Conde de Assumar e que era governador da província de São Paulo e Minas Gerais.
A tradição católica conta que os 3 pescadores estavam sem encontrar um único peixe. Em determinado momento, pescaram a referida imagem de Nossa Senhora da Conceição. Foi quando, ao depositar o objeto no barco, as redes passaram a se encher com muitos peixes, o que foi tido como a manifestação de um milagre.
A imagem foi colocada em um altar e passou a receber a visita de devotos e pessoas que creditavam à Nossa Senhora a realização de feito incríveis. Com o tempo, passou a ser chamada de Nossa Senhora Aparecida pelo fato de ter “aparecido” aos pescadores.
O objeto foi exposto em vários templos e igrejas até chegar ao Santuário Nacional. A imagem sofreu um atentado na antiga basílica em 1978, tendo sido quebrada em mais de 160 pedaços. Foi restaurada pela artista plástica Maria Helena Chartuni no Masp (Museu de Arte de São Paulo) e devolvida ao santuário, onde segue exposta até hoje.

Fonte: Poder360

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