Cerca de 15 mil fiéis se reuniram no sábado, 15 de agosto, nos Lugares Santos de Chalchihuites, no estado mexicano de Zacatecas, para comemorar o centenário de quatro mártires mortos durante a Guerra Cristera.
O arcebispo Joseph Spiteri, núncio apostólico no México e representante do Papa Leão XIV no país, presidiu a celebração que encerrou o ano jubilar do centenário.
A Arquidiocese de Durango compartilhou imagens da multidão reunida no local onde os santos Luis Bátis Sáinz, Manuel Morales, Salvador Lara Puente e David Roldán Lara foram mortos.
Os quatro mártires foram fuzilados em 15 de agosto de 1926, em Puerto de Santa Teresa, uma cidade localizada no estado de Zacatecas e sob jurisdição eclesiástica da Arquidiocese de Durango.
“Deus não morre”, disse Spiteri no início de sua homilia, ecoando as palavras proferidas por São Manuel Morales antes de sua execução.
O núncio recordou que os quatro mártires “ofereceram suas vidas enquanto professavam livre e pacificamente sua fé em Deus”.
“Seu crime foi querer professar publicamente, livremente e pacificamente sua fé no Deus da vida e na Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo”, afirmou.
Spiteri observou que os quatro santos foram vítimas de “uma ideologia que não admitia liberdade de pensamento e consciência”, que alguns buscavam “impor com violência”.
Diante dessa violência, continuou, os mártires testemunharam o valor “da resistência pacífica”. Ele enfatizou que a autêntica liberdade “não é querer fazer o que nos dá vontade, mas poder escolher livremente, conscientemente; escolher o bem e não o mal”.
Ele disse que “escolher responder às más ações, à violência e à injustiça” fazendo o bem e estendendo o perdão “é a verdadeira liberdade”. O diplomata do Vaticano também encorajou os católicos a trabalhar “para construir uma sociedade mais justa fundamentada na solidariedade”.
Ele enfatizou que a Igreja não se apoia na “força do poder”, mas no “poder do serviço”, e encorajou os fiéis a renovar seu compromisso de oferecer um testemunho “de diálogo, compreensão e escuta aos mais vulneráveis e aos que estão à margem, a fim de construir o reino de Deus”.
São Luis Bátis Sáinz era padre na Paróquia de São Pedro em Chalchihuites e era particularmente conhecido por seu trabalho com os jovens, segundo o site do Vaticano. Ele foi preso apenas 15 dias após a suspensão do culto público no México, em meio à intensificação da perseguição religiosa sob o governo de Plutarco Elías Calles.
São Manuel Morales, marido e pai de três filhos, era membro da Ação Católica da Juventude Mexicana e presidente da Liga Nacional para a Defesa da Liberdade Religiosa, uma organização que buscava a revogação das disposições anticlericais do governo federal.
Quando Bátis pediu aos soldados que poupassem a vida de Morales porque ele tinha esposa e filhos, Morales respondeu: “Padre, eu estou morrendo, mas Deus não morre. Ele cuidará da minha esposa e dos meus filhos”.
São Salvador Lara Puente, que acabara de completar 21 anos, trabalhava para uma empresa de mineração e era membro ativo da Ação Católica. Quando os soldados chegaram procurando por ele, ele respondeu: “Aqui estou”.
São David Roldán Lara, 24 anos, também trabalhava para uma empresa de mineração e estava ativamente envolvido no apostolado paroquial. Ele e Lara eram primos.
Bátis e Morales foram os primeiros a ser fuzilados. Alguns metros adiante, os soldados executaram posteriormente Salvador Lara e David Roldán.
Os quatro foram beatificados por São João Paulo II em 22 de novembro de 1992 e canonizados pelo mesmo pontífice em 21 de maio de 2000, ao lado de São Cristóbal Magallanes e outros mártires mexicanos.
A Arquidiocese de Durango também conta entre seus mártires São Mateo Correa Magallanes, um padre assassinado em 6 de fevereiro de 1927, na cidade de Durango.
Na sexta-feira, 14 de agosto, durante uma coletiva de imprensa realizada após sua chegada a Durango, o núncio disse que sua mensagem para a Igreja local era de “paz e comunhão, como o Santo Padre, Papa Leão XIV, também nos pede”.
Spiteri destacou os mártires de Durango como exemplos de liberdade de consciência.
“Sempre que o respeito pela liberdade de consciência esteve ausente… os resultados sempre foram muito tristes e trágicos”, alertou.
O representante do papa esclareceu que a liberdade religiosa protege não apenas os católicos ou aqueles que professam uma fé particular, mas também o direito de um indivíduo de não aderir a nenhuma religião.
“Quando essa liberdade de pensamento é restringida… é sempre um passo na direção errada; estamos retrocedendo, não avançando”, afirmou.
Durante sua visita, Spiteri teve a oportunidade de visitar o Museu dos Santos Mártires e participar da abertura da exposição fotográfica “Centenário do Início do Movimento Cristero no México e em Durango”.
Um santuário dedicado aos mártires está atualmente sendo construído nos Lugares Santos de Chalchihuites.
A celebração foi precedida por uma peregrinação arquidiocesana de oito dias que percorreu o caminho até os Lugares Santos.
Ao seu término, em 14 de agosto, o arcebispo de Durango, Faustino Armendáriz Jiménez, declarou: “Bem-aventurados aqueles que percorreram este caminho, porque nós que vivemos esta experiência experimentamos Deus”.
A arquidiocese também compartilhou imagens dos peregrinos após completar a peregrinação, “cansados, mas felizes”, e com seus “corações cheios de gratidão e alegria”.
©2026 Catholic News Agency. Publicado com permissão. Original em inglês: 15,000 faithful and pope’s representative commemorate centenary of 4 Mexican martyrs https://www.ewtnnews.com/world/americas/15000-faithful-and-popes-representative-commemorate-centenary-of-4-mexican-martyrs


