Os números do Ideb 2025, divulgados pelo Ministério da Educação, trouxeram ótimas notícias para o Paraná. Na rede pública, as notas chegaram a 6,9 nos anos iniciais do ensino fundamental e a 5,8 nos anos finais. No ensino médio, o resultado foi 5,1. Com esses índices, o Estado mantém a primeira colocação nacional nas três etapas.
Essa conquista foi construída de maneira coletiva no cotidiano das escolas. Reúne a dedicação dos estudantes, o comprometimento dos professores, o acompanhamento de diretores e pedagogos e o trabalho dos demais profissionais que sustentam a rotina escolar. Pais e responsáveis também são fundamentais nessa construção, acompanhando a frequência e participando de perto da vida escolar das crianças e jovens.
Estamos falando de uma rede estadual com mais de 1,1 milhão de estudantes e 2.082 escolas nos 399 municípios paranaenses. Para compreender o tamanho da mudança, é preciso olhar a última década. No ensino médio, uma etapa muito desafiadora, o Paraná saiu da nona colocação em 2017, chegou ao terceiro lugar em 2019 e assumiu a liderança em 2021, com nota 4,8. Avançou para 4,9 em 2023 e 5,1 em 2025.
Nos anos finais, passou do oitavo lugar no Brasil em 2017 para a liderança em 2023 e, agora, está novamente na primeira colocação. Devemos lembrar que, no meio do caminho, houve uma pandemia que interrompeu a rotina e ampliou as defasagens, o que exigiu um esforço a mais para recuperar vínculos e aprendizagens.
O Ideb combina o desempenho dos estudantes no Sistema de Avaliação da Educação Básica, o Saeb, com as taxas de aprovação registradas pelo Censo Escolar. Ou seja, permanecer no topo significa garantir que os alunos progridam em sua trajetória escolar, mas que também continuem a avançar na aprendizagem. No Saeb, a rede estadual alcançou o segundo melhor desempenho do país em Matemática e Língua Portuguesa nos anos finais. No ensino médio, chegou à liderança nas duas disciplinas, depois de ocupar a quarta posição em 2019.
Sou professor de História e levei para a gestão a convicção de que diretores e professores precisam estar comprometidos com resultados de aprendizagem. Unificamos o livro didático, a matriz curricular e o sistema de avaliação para dar referências comuns a toda a rede. Com elas, todas as escolas trabalham pelos mesmos objetivos de aprendizagem, preservadas as particularidades locais.
Quem assume a direção de uma escola estadual no Paraná também assume o compromisso de acompanhar a aprendizagem. Por isso, o trabalho dos diretores passou a ser avaliado pelo que os estudantes aprendem, e o cumprimento das metas passou a pesar na permanência no cargo. Passamos a cobrar resultados da gestão escolar como se cobra em qualquer outra atividade profissional.
Cobrar resultados exige, da parte do Estado, dar às equipes uma direção de trabalho. Os professores passaram a contar com um currículo comum e mais de mil planos de aula, apoiados por recursos tecnológicos.
As avaliações feitas ao longo do ano mostravam o que havia funcionado e o que ainda precisava ser revisto, no nível do detalhe. Assim, diretores e pedagogos podiam enxergar, turma por turma, onde estavam as maiores dificuldades e reorganizar o trabalho.
Na recomposição das aprendizagens, começamos pelo que os alunos ainda não dominavam. Repetir todo o currículo consumiria tempo sem necessariamente chegar às maiores lacunas. As avaliações mostraram, por exemplo, que porcentagem, em Matemática, e o gênero textual de opinião, em Língua Portuguesa, concentravam muitas dificuldades. Esses conteúdos receberam atenção específica. Em Matemática, a recomposição contou com dois professores na mesma sala.
Ao mesmo tempo, acompanhamos a frequência para agir antes que a ausência do estudante se transformasse em abandono escolar, principalmente entre os adolescentes. Em 2025, o Paraná chegou a 86,6% de frequência no ensino médio, diante da média nacional de 80,6%.
Quem passou pela sala de aula sabe que duas turmas nunca respondem da mesma maneira. Com as redes de ensino acontece algo parecido: cada solução precisa se ajustar aos estudantes e ao contexto em que será aplicada. A rede investiu na formação dos professores e ampliou o tempo de permanência dos alunos na escola. A tecnologia foi usada onde poderia contribuir com o ensino. Cada uma dessas frentes ganhou importância porque respondia a dificuldades encontradas pela rede.
No Paraná existem modelos diferentes de escola, e cada um funciona melhor em determinada realidade. A diversidade que temos no nosso Estado – assim como no Brasil – afasta a ideia de que existe uma solução mágica capaz de resolver todos os problemas. Políticas públicas exigem capacidade permanente de diagnóstico e correção para manter a consistência, mesmo que as pessoas mudem.
Passada a celebração, voltamos todos ao trabalho cotidiano da escola. Cada integrante dessa rede tem seu papel e sua responsabilidade, dentro e fora da sala de aula. E, à medida que crianças e jovens avançam em sua trajetória escolar, a educação deve se aperfeiçoar de maneira contínua. Cada edição do Ideb traz a oportunidade de registrar um momento desse percurso, mas também oferece novas referências e novos desafios para o trabalho que o Paraná tem pela frente.
Roni Miranda é secretário de Estado da Educação do Paraná.
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