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Irã reforçou milícias e aumentou estoque de drones mísseis para ampliar confronto com os EUA

O regime do Irã usou os últimos dois meses para reforçar milícias aliadas, acelerar a produção de mísseis e drones e reorganizar sua estrutura militar com o objetivo de se preparar para uma possível ampliação do confronto com os Estados Unidos e seus aliados no Oriente Médio, conforme revelou neste domingo (16) o jornal americano The Wall Street Journal.

Segundo a reportagem, baseada em informações concedidas por autoridades iranianas e árabes e em informações de inteligência obtidas na região, setores mais linha-dura do regime iraniano passaram a trabalhar com a hipótese de que o atual período de negociações não levará necessariamente ao fim da guerra. A avaliação dentro desse grupo é de que um confronto de maior escala ainda pode ocorrer.

O movimento ganhou força logo após a assinatura, em 17 de junho, do memorando de entendimento entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o Irã, que previa, entre outros pontos, a abertura do Estreito de Ormuz ao tráfego marítimo e novas negociações sobre o programa nuclear iraniano, em troca de medidas de alívio econômico para Teerã. De acordo com o WSJ, enquanto diplomatas iranianos mantinham conversas com Washington, a cúpula de segurança do regime islâmico avançava paralelamente na preparação para uma nova fase do conflito. Entre as medidas adotadas estariam o aumento da influência da Guarda Revolucionária sobre o Exército regular, a nomeação de veteranos para cargos estratégicos e o reforço das operações de contrainteligência.

A Guarda Revolucionária teria aproveitado o período de menor intensidade dos combates para estreitar a coordenação com grupos armados apoiados pelo Irã em outros países. Segundo autoridades citadas pelo jornal, comandantes e assessores iranianos foram enviados ao Iraque, ao Iêmen e ao Líbano para discutir planos destinados a ampliar os ataques caso Teerã decidisse elevar o nível do confronto. O regime também tem acelerado a fabricação de mísseis e trabalhou para melhorar a precisão do arsenal durante o período de trégua.

A avaliação dentro do regime é de que os confrontos ocorridos até agora podem ser apenas etapas de uma disputa militar mais ampla.

Atualmente, as negociações para um acordo definitivo que encerre a guerra seguem travadas. Nesta segunda-feira (17), terminou o prazo de 60 dias estabelecido pelo memorando de entendimento assinado em junho para que Estados Unidos e Irã negociassem os termos de um acordo final. O período expirou sem que as partes chegassem a uma solução para os principais pontos de divergência.

Diante do impasse, o governo Trump voltou a intensificar a pressão sobre Teerã por meio de sanções econômicas e do bloqueio naval, na tentativa de forçar o regime a aceitar novas concessões. Fontes próximas aos negociadores iranianos afirmam, segundo a imprensa americana, que a liderança do país se prepara para suportar uma disputa prolongada e considera possível uma nova escalada militar caso a diplomacia fracasse.

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