O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, defendeu a segurança e a eficiência do sistema eleitoral brasileiro durante reunião com 86 embaixadores estrangeiros em Brasília, nesta sexta-feira (17).
O ministro também alertou para os riscos do uso de inteligência artificial (IA) durante a campanha e os dois turnos das eleições de 2026.
Segundo Nunes Marques, o Brasil se tornou uma “referência mundial” na organização de eleições. Ele atribuiu esse resultado à adoção de normas e tecnologias que, na avaliação delel, garantem transparência, segurança e credibilidade ao processo eleitoral.
O ministro disse aos diplomatas que o uso da IA representa um dos principais desafios para as eleições deste ano.
Nunes Marques citou a possibilidade de produção de vídeos e áudios manipulados para enganar eleitores, distorcer o debate público ou interferir na formação da vontade política.
“Agigantam-se as possibilidades de mau uso da inteligência artificial nas disputas eleitorais”, afirmou.
O TSE elaborou um plano de ação para orientar o uso da tecnologia durante as eleições de 2026.
TSE proíbe deepfakes eleitorais
A resolução eleitoral aprovada pelo TSE para 2026 proíbe o uso de deepfakes para favorecer ou prejudicar candidaturas, mesmo quando a pessoa reproduzida autoriza a utilização de sua imagem ou voz.
O plenário da Corte ainda deve discutir a aplicação das regras a vídeos e áudios produzidos por IA que imitem pessoas reais.
O tema ganhou relevância durante a convenção do PL que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência.
O partido exibiu no evento um vídeo produzido com IA que reproduzia a imagem e a voz do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Nunes Marques havia defendido anteriormente que o uso da tecnologia em campanhas pode ser lícito, desde que não prejudique candidatos ou outras pessoas.
Segurança das urnas
A reunião com os embaixadores também tratou dos mecanismos de segurança das urnas eletrônicas, da identificação dos eleitores, da biometria e do combate à desinformação.
Em apresentação anterior a diplomatas, Nunes Marques afirmou que qualquer alteração no código das urnas seria detectada pelos mecanismos de segurança adotados pela Justiça Eleitoral.
O encontro desta segunda-feira reuniu, além dos 86 embaixadores, o coordenador residente da Organização das Nações Unidas (ONU) no Brasil e o encarregado de negócios da União Europeia.
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