Antes da proibição eleitoral, Lula intensificou viagens com inaugurações, anúncios e programas de forte apelo político; governo afirma que ações são institucionais, não eleitorais. (Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República)
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Os gastos de Bolsonaro com viagens em 2022 aumentaram à medida que as eleições se aproximavam. Os deslocamentos no país somaram R$ 20 milhões no primeiro semestre de 2022. Os dados foram obtidos pelo blog naquele ano por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). Em setembro de 2026, o blog solicitou, novamente pela LAI, as despesas do presidente Lula com viagens no país. A Presidência, no entanto, não informou despesas do presidente. Alegou que “parte da informação gera risco à segurança de instituições ou altas autoridades nacionais ou estrangeiras e seus familiares”.
A Presidência acrescentou que parte das informações pode ser acessada no painel de viagens do governo federal. Mas, “quanto às informações e detalhamentos de despesas cuja divulgação possa comprometer a segurança, as rotinas operacionais ou a integridade física do Chefe de Estado e das equipes de proteção institucional, encontram-se classificadas como reservadas, e estão sob regime de restrição de acesso, conforme previsto na Lei de Acesso”.
Assim, prosseguiu a Presidência, “informações individualizadas e detalhadas que possam expor procedimentos, estratégias, segurança institucional ou dados sensíveis encontram-se protegidas pela referida restrição legal, razão pela qual não são passíveis de divulgação até o término do mandato presidencial”.
As viagens do presidente Bolsonaro pelo país
Em 2022, a Presidência da República informou ao blog cada cidade visitada, com a data e o custo do deslocamento, incluindo gastos com cartões corporativos (taxas aeroportuárias, hospedagem, alimentação, telefonia, mais diárias e passagens para assessores e seguranças). As sete viagens mais caras de Bolsonaro no país em três anos e meio foram para Guarujá e São Francisco do Sul (SC), onde o presidente passava as férias e feriados. As 25 viagens mais caras, com 13 para esses destinos, custaram R$ 11 milhões.
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O roteiro de Bolsonaro era multitemático. Em 23 de junho, ele voou para Caruaru (PE) às 13h30. Às 21h, visitou a Festa de São João. Seguiu para João Pessoa (PB) quase à meia noite. No dia seguinte, às 10h, prestigiou a cerimônia de entrega dos Residenciais Canaã. Às 14h15, partiu para Campina Grande (PB), que disputava com Caruaru o título de maior São João do país. Visitou a Vila Sítio São João, às 16h, e esteve na Festa do Parque do Povo. A festança custou R$ 733 mil aos cofres públicos.
As viagens do então presidente Jair Bolsonaro no período oficial de campanha eleitoral custaram pelo menos R$ 7,8 milhões. A maior parte foi gasta com locação de veículos para o transporte terrestre da comitiva presidencial e de segurança: R$ 3,4 milhões. Os cartões corporativos do presidente pagaram despesas no valor de R$ 1,9 milhão, a maior parte com hospedagem e alimentação dos seguranças. As passagens e diárias para seguranças e assessores custaram mais R$ 2,6 milhões.
“LAI foi estuprada”, disse Lula
Em 16 de maio de 2023, durante discurso em evento de assinatura de decretos, Lula criticou uma suposta falta de transparência do governo de seu antecessor, Jair Bolsonaro, principalmente durante a Covid-19. “Informações eram sonegadas nas coletivas de imprensa. Agentes públicos eram constrangidos para não relatarem o que ocorria. E até a página oficial da Internet com os dados da Covid foi mudada para dificultar o acompanhamento pela população”, afirmou Lula.
O presidente também criticou informações que não foram divulgadas à população e classificadas como reservadas pelo governo Bolsonaro. Em outro momento do discurso, Lula afirmou que a legislação sobre acesso à informação foi “estuprada” na gestão Bolsonaro.
A Lei de Acesso à Informação foi gerada no governo Lula e sancionada pela presidente Dilma Rousseff em 18 de novembro de 2011. A LAI, foi criada para dar mais transparência e facilitar a fiscalização dos governos. Ela garante ao cidadão o acesso às informações como pagamentos de servidores, gastos dos órgãos públicos, entre outras informações. Pelo menos era essa a intenção – agora esquecida pelo presidente Lula.
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