O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, propôs neste sábado (15) a abertura de negociações com a Coreia do Norte para encerrar formalmente a guerra entre os dois países e substituir o atual armistício por um acordo permanente de paz.
Durante seu discurso pelo Dia da Libertação da Coreia, Lee afirmou que Seul pretende buscar uma convivência pacífica com Pyongyang e criar mecanismos capazes de impedir novas escaladas militares na península coreana. O presidente pediu que os dois lados se sentem à mesa para discutir o futuro da relação entre as Coreias.
A Guerra da Coreia ocorreu entre 1950 e 1953, mas nunca terminou formalmente com a assinatura de um tratado de paz. Os combates foram interrompidos por um armistício firmado em 1953, o que significa que, do ponto de vista técnico, Coreia do Sul e Coreia do Norte permanecem em guerra até hoje.
“Vamos deixar de lado nossas intenções de ameaçar uns aos outros e iniciar discussões para encerrar a guerra de longa duração como partes diretamente envolvidas”, afirmou Lee. O presidente sul-coreano disse esperar que representantes dos dois países possam se encontrar presencialmente em busca da “coexistência pacífica e crescimento mútuo”.
As eventuais negociações também poderiam envolver o programa nuclear da Coreia do Norte. Segundo Lee, uma mesa de diálogo poderia discutir medidas consideradas efetivas para interromper o avanço das capacidades nucleares de Pyongyang.
O governo sul-coreano também pretende adotar medidas preventivas para reduzir as tensões e criar um sistema de segurança em diferentes níveis para evitar que incidentes entre os dois países se transformem em confrontos de maiores proporções. Lee afirmou que Seul buscará ações contínuas para conter possíveis escaladas militares.
A proposta é apresentada em meio a um dos períodos de maior distanciamento entre as duas Coreias nas últimas décadas. O ditador norte-coreano Kim Jong-un abandonou antiga política de reunificação com o Sul e passou a classificar o país vizinho como seu principal inimigo. Também ordenou o fortalecimento das defesas militares na região de fronteira.
Em 2024, Kim declarou que a reunificação pacífica entre as duas Coreias já não seria possível e defendeu mudanças na Constituição norte-coreana para apresentar a Coreia do Sul como um Estado inimigo. Na ocasião, também afirmou que, em caso de guerra, Pyongyang deveria buscar ocupar e incorporar o território sul-coreano.
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