Balneário Piçarras ficou à frente de Itapema e de Balneário Camboriú na procura por imóveis de alto padrão no primeiro trimestre de 2026. (Foto: José Santos/Prefeitura de Balneário Piçarras)Balneário Piçarras assumiu a liderança na intenção de compra de imóveis de alto padrão no litoral norte de Santa Catarina no primeiro trimestre de 2026. O município de 27 mil habitantes superou Balneário Camboriú e Itapema no Índice de Demanda Imobiliária nacional. O movimento reflete uma busca por tranquilidade e maior potencial de valorização em áreas menos adensadas da região.
O que explica o crescimento do interesse por imóveis em Balneário Piçarras?
A cidade deixou de ser vista como uma opção secundária para se tornar prioridade na análise de compradores de alta renda. Durante anos, Balneário Camboriú e Itapema foram as escolhas automáticas, mas a verticalização intensa e os preços elevados nesses locais empurraram os investidores para cidades vizinhas. Piçarras se destaca por oferecer uma orla menos adensada e projetos modernos. Além disso, o perfil do comprador mudou: muitos não buscam apenas uma casa de veraneio, mas sim uma moradia definitiva, impulsionados pela infraestrutura regional e pelo trabalho remoto.
Como funciona o índice que colocou a cidade no topo do ranking regional?
O Índice de Demanda Imobiliária (IDI Brasil) não mede o tamanho total do mercado ou o número de vendas concretizadas, mas sim a intenção de compra. Ele é focado em um segmento específico: pessoas com renda mensal superior a R$ 24 mil que buscam imóveis com valores a partir de R$ 811 mil. No primeiro trimestre de 2026, Piçarras alcançou a 41ª posição nacional, ficando à frente de Itapema (51ª) e Balneário Camboriú (60ª). Isso mostra que o interesse relativo pelo município cresceu mais rápido que o das vizinhas consolidadas, reduzindo a distância entre elas no mercado de luxo.
Quais são os principais desafios urbanos gerados por esse avanço imobiliário?
Especialistas alertam que o crescimento acelerado exige que o poder público acompanhe o ritmo do investimento privado. O grande risco para cidades pequenas que atraem o alto padrão é a falta de equipamentos urbanos essenciais, como redes de esgoto, mobilidade, drenagem, escolas e postos de saúde. Um exemplo citado é o de bairros em Itapema que sofreram com a verticalização antes da conclusão da infraestrutura básica. Para que o ciclo de valorização seja sustentável, Piçarras precisa consolidar serviços de saúde e educação que atendam tanto os novos quanto os antigos moradores.
Como a prefeitura pretende controlar o impacto dos novos empreendimentos?
A estratégia municipal, baseada no Plano Diretor de 2020, é condicionar a liberação de novos prédios a contrapartidas diretas das construtoras. Isso significa que, se a rede existente não suportar a nova demanda, a empresa deve ampliar tubulações, refazer pavimentação e realizar obras de drenagem antes de receber o ‘habite-se’ (documento que autoriza a ocupação). Atualmente, 30% da cidade tem esgoto coletado, focando na área dos grandes projetos. Também há planos para novas conexões sobre o Rio Piçarras e elevados para melhorar o trânsito e suportar o aumento populacional.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.
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