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STF apura se vice-líder de Lula teria atuado para conter investigação de homicídio no Maranhão

Um inquérito da Polícia Federal que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) apura se o vice-líder do governo, o senador Weverton Rocha (PDT-MA), atuou para conter e atrapalhar as investigações do assassinato do empresário João Bosco, ocorrido em 2022 no Maranhão. Mensagens encontradas no celular do parlamentar mostraram contatos entre ele e o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Humberto Martins. Até o momento, nenhum dos citados se manifestou.

A PF identificou mensagens no celular do senador direcionadas a Humberto Martins, relator do caso de homicídio no STJ. A suspeita da PF é que Weverton tenha agido para evitar que as apurações envolvessem pessoas ligadas ao atual governador do Maranhão, Carlos Brandão (MDB).

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Devido ao risco de “queima de arquivo” se mantido em presídio maranhense, o réu pelo crime foi transferido para Brasília em 2025, com autorização de Martins. A assessoria do STJ informou à Gazeta do Povo que o ministro — que não é investigado pela PF — não comentaria a situação por se tratar de um processo sob segredo de Justiça. A assessoria do senador Weverton também foi procurada, mas não enviou resposta. O espaço segue aberto para manifestações.

Quebra do sigilo de fonte

A investigação envolvendo o vice-líder do governo tornou-se pública após o ministro do STF Flávio Dino retirar o sigilo de apurações relacionadas ao ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão, Raimundo Cutrim.

Cutrim foi alvo de busca e apreensão nesta semana por ter sido a fonte de uma reportagem que denunciou o suposto uso irregular de carros oficiais por Dino. O ministro se disse perseguido e alegou que os veículos eram particulares.

A PF suspeita que a reportagem integrava uma campanha para abafar a participação de membros do governo Brandão no homicídio de João Bosco. Ele teria sido morto após uma disputa por propinas oriundas de esquemas de corrupção no Maranhão.

Cutrim é aliado de Brandão e adversário político do grupo de Dino. Como um dos implicados possuía foro privilegiado, o caso subiu originalmente ao STJ.

Foram justamente as suspeitas sobre o senador Weverton Rocha que levaram os autos à instância máxima, o STF, onde o processo acabou sorteado para Flávio Dino, ex-governador do estado e rival do grupo de Brandão.

Na decisão do STF que retirou sigilo sobre o caso, é descrito um “ecossistema criminoso” no Estado, inclusive com a participação de um agente da PF afastado das apurações por envolvimento com os suspeitos.

Após a publicação da reportagem sobre o uso de carros oficiais pelo Tribunal de Justiça, o caso teve desdobramento no inquérito das fake news e, com isso, coube “por precaução” ao relator Alexandre de Moraes autorizar medidas de busca e quebra de sigilo contra Raimundo Cutrim e o jornalista responsável pela reportagem.

Nas apurações, a PF identificou um repasse indireto de R$ 100 mil que teria sido feito por Cutrim ao jornalista Luís Pablo para a veiculação da reportagem, com o intuito de intimidar Dino. O jornalista nega veementemente a acusação e disse que o valor teria sido um empréstimo anterior aos fatos.

Conexão com a Sem Desconto

Esta apuração acabou se entrelaçando com outra investigação da PF, a operação Sem Desconto, que apura fraudes em descontos associativos em aposentadorias. Foi a partir da quebra de sigilo autorizada sobre Weverton Rocha que os investigadores levantaram a hipótese de interferência do senador no processo de homicídio, evidenciada pela série de mensagens trocadas entre ele e o ministro Humberto Martins.

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