O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou que os futuros porta-aviões da Marinha americana deixem de utilizar o sistema eletromagnético de lançamento de aeronaves e voltem a empregar catapultas movidas a vapor, tecnologia que foi utilizada durante décadas pela força naval. A determinação foi formalizada em um memorando assinado nesta quinta-feira (13), segundo noticiou a Associated Press.
A ordem determina que o Pentágono e a Marinha apresentem, em até 60 dias, um plano para substituir o sistema eletromagnético de lançamento, conhecido pela sigla EMALS, que utiliza energia eletromagnética para impulsionar caças e outras aeronaves para fora do convés durante as decolagens. Trump também determinou mudanças nos elevadores eletromagnéticos responsáveis pelo transporte de armamentos dentro dos navios, de acordo com a AP.
A mudança deverá começar pelo USS Doris Miller, quarto porta-aviões da classe Gerald R. Ford. O navio ainda está em construção e deverá ser redesenhado para receber as catapultas a vapor. Os três primeiros porta-aviões da classe, USS Gerald R. Ford, USS John F. Kennedy e USS Enterprise, permanecerão com o sistema eletromagnético, segundo informou o Wall Street Journal.
A decisão poderá custar bilhões de dólares porque a estrutura interna dos porta-aviões da classe Ford foi projetada especificamente para tecnologias elétricas. Segundo o especialista naval Bryan Clark, do think tank Hudson Institute, ouvido pelo Wall Street Journal, os espaços e tubulações necessários para operar catapultas a vapor foram eliminados ou modificados no projeto desses navios.
Nas catapultas a vapor, utilizadas nos porta-aviões americanos da classe Nimitz, o sistema aproveita vapor de alta pressão produzido pelos reatores do navio para movimentar pistões instalados sob o convés. Esses pistões puxam rapidamente a aeronave por uma trilha de lançamento, dando ao caça a velocidade necessária para decolar em uma pista muito mais curta do que a encontrada em aeroportos convencionais. O mecanismo, porém, exige uma estrutura extensa de tubulações, válvulas, reguladores de pressão e outras peças mecânicas.
Já o sistema eletromagnético EMALS substitui a força do vapor por campos magnéticos gerados eletricamente. Em vez de usar a pressão de pistões, o equipamento acelera a aeronave ao longo do convés por meio de um motor eletromagnético linear, em um processo comparado por especialistas ao funcionamento de um trem de alta velocidade. Segundo Clark disse à CNN que essa tecnologia possui menos componentes mecânicos e torna o lançamento mais simples.
O analista pontuou que a alteração no USS Doris Miller provavelmente custará bilhões de dólares e poderá atrasar a entrada do porta-aviões em serviço. O navio estava previsto para integrar a frota por volta de 2034, mas agora, segundo Clark, a mudança poderia empurrar sua entrega para o fim da década de 2030.
Trump critica o sistema eletromagnético desde seu primeiro mandato. O republicano já afirmou anteriormente que a tecnologia não era tão boa quanto as catapultas a vapor e não tinha a mesma potência.
A Casa Branca defendeu a decisão afirmando que a adoção de sistemas a vapor e hidráulicos deixará os porta-aviões equipados com tecnologias já testadas em combate e consideradas mais resistentes. Segundo comunicado citado pelo Wall Street Journal, o governo também argumenta que a mudança poderá reativar setores da indústria naval americana com maior capacidade de expansão.
A General Atomics, fabricante do EMALS, contestou a decisão. A empresa afirmou à AP que a mudança “merece uma reconsideração cuidadosa”.
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