Alexandre de Moraes: os 129 milhões ainda estão sem explicação! (Foto: Luiz Silveira/STF)
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Fui dar uma volta na praia que, em julho, é praticamente deserta. Só eu e os velhos. Mais velhos, digo. Tinha um pescando com a água pelas canelas. Água geladíssima. Outro brincava na areia com um detector de metais. Juro que vi um casal 70+ enchendo sacolas plásticas com conchinhas. E este outro vinha na direção contrária. A uns cem metros de mim. Perto. Mais perto. Bem perto agora. “Quando é que o sujeito vai explicar os 129 milhões, hein?”, me perguntou ele.
Na verdade ele não disse “sujeito”. Disse va———. Posso reproduzir a fala do cidadão anônimo e indignado na praia? Vivemos numa democracia? Hehehe. Segui em frente. O plano era comprar cação, preparar uma moquequinha e tal. Chego ao mercado de peixes e nem bom dia o pescador me dá. Quando é que o sujeito vai explicar os 129 milhões, hein? Compro o cação. Me deparo com surfistas. Quando é que o sujeito vai explicar os 129 milhões? Pausa dramática. Hein?! Penso em voltar correndo para casa. Me falta folego.
¯_(ツ)_/¯
Os termos variam. Por decoro e alguma prudência, não os reproduzo neste espaço. Mas você vai imaginando aí. Sim, teve esse também. Mas teve outros muito piores. Mais cabeludos, como se diz ou dizia. Termos que rimam com truta. Quando é que o sujeito vai explicar os 129 milhões?, me perguntou a tia do churros. Quando é que o sujeito vai explicar os 129 milhões?, me perguntou o porteiro. Quando é que o sujeito vai explicar os 129 milhões?, me perguntou um bêbado. E a todos eu respondia com um ¯_(ツ)_/¯ sincero e às vezes um “sei lá!” indignado.
Fui jogar boliche e um grupo de tiozões na pista ao lado me perguntou em uníssono. Na padaria, a atendente não hesitou. Abasteci o carro e o frentista gago que-que-queria saber. No restaurante, o garçom perguntou quando fiz o pedido e insistiu depois, ao trazer a conta. Na rua, o policial sussurrou. No mercado e na farmácia. No elevador. Ricos e pobres, gordos e magros, altos e baixos. (Mencionei o anão do circo? Pois). Um turista holandês se enrolou todo. Mas perguntou. Quando é que o klootzak vai explicar os 129 milhões? “Lazarento” pode, né? Diz que sim, dr. X.
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