Flávio Bolsonaro prevê novo pacote antifraude no INSS e mudanças no consignado, enquanto usa a atuação de Alfredo Gaspar na CPMI para explorar o tema na campanha (Foto: Vittor Sales/ Campanha do PL)Ouça este conteúdo
O plano de governo de Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL, prevê a retomada de um pacote antifraude na Previdência e mudanças na governança dos empréstimos consignados para beneficiários do INSS. A proposta aproveita um tema que a campanha pretende explorar durante a eleição e que ganhou espaço com as investigações da CPMI do INSS no Congresso.
No documento, Flávio afirma que pretende reeditar medidas adotadas em 2019 para impedir descontos não autorizados em aposentadorias e pensões. O documento analisado pela Gazeta do Povo apresenta as fraudes contra aposentados como um dos exemplos de falhas de controle do Estado.
O documento afirma que a gestão Bolsonaro adotou, em 2019, “a chamada MP Antifraudes”, que exigia a revalidação anual dos descontos associativos e cancelava aqueles feitos sem autorização do beneficiário. Durante a tramitação da medida no Congresso, os parlamentares revogaram completamente a necessidade de revalidação periódica.
A proposta para um eventual governo Flávio é “retomar esse combate com prioridade máxima”, com um novo pacote antifraude nos moldes da medida de 2019. O plano também prevê alterar a governança dos empréstimos consignados para evitar que descontos não autorizados voltem a atingir beneficiários do INSS.
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Alfredo Gaspar será um dos principais porta-vozes da campanha sobre o caso
A proposta sobre INSS entrou no plano de governo em meio à indicação de Alfredo Gaspar para vice na chapa de Flávio Bolsonaro. O atual deputado federal foi relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Congresso que apurou as fraudes e descontos irregulares das aposentadorias de centenas de aposentados ao longo dos últimos anos.
No relatório final, Gaspar estimou que as irregularidades movimentaram mais de R$ 7 bilhões entre 2015 e 2025 e propôs o indiciamento de 216 pessoas. O parecer, porém, acabou rejeitado pela comissão.
Entre os nomes incluídos no relatório de Gaspar estava Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A campanha de Flávio pretende usar a atuação do vice na CPMI para associar as irregularidades ao governo petista e manter o episódio no debate eleitoral.
Ao anunciar Gaspar como vice, Flávio antecipou essa estratégia ao destacar a atuação do deputado na comissão. “[Ele] pediu a prisão do Lulinha porque ele tinha culpa no cartório”, afirmou o candidato ao justificar a escolha.
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