Apenas 3 minutos de exercício de alta intensidade podem trazer mais benefícios à saúde do que 90 minutos de exercício moderado, segundo pesquisa divulgada nesta quinta-feira (13). O estudo mostra como esse esforço breve, porém intenso, modifica a composição molecular da corrente sanguínea, tornando-a mais resistente a doenças.
Os autores, pesquisadores americanos que publicaram suas descobertas na revista Cell Reports Medicine, descobriram que as exercinas (proteínas e metabólitos liberados na corrente sanguínea após o exercício) são altamente sensíveis à intensidade do exercício e parecem ser os principais mediadores dos efeitos benéficos à saúde produzidos por exercícios intensos.
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Ao analisar as alterações no sangue das pessoas após treinos de diferentes intensidades, eles observaram como 6 séries de 30 segundos de sprints de bicicleta em velocidade máxima alteraram quase um quarto das proteínas analisadas imediatamente depois.
No entanto, 90 minutos de ciclismo moderado e contínuo alteraram muito menos proteínas. Na verdade, o impacto foi menos perceptível do que o observado em pessoas correndo em uma esteira em um ritmo moderado semelhante.
O sprint causou alterações em mais de 200 metabólitos e um aumento imediato nas proteínas envolvidas no crescimento dos vasos sanguíneos, na remodelação dos tecidos e na sinalização hormonal.
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Quais foram as descobertas
Os pesquisadores também descobriram que as células adiposas humanas expostas ao sangue coletado após o sprint sofreram alterações significativas na atividade genética, alterando a forma como as células processam energia, respondem aos hormônios e percebem a disponibilidade de nutrientes.
O mesmo não ocorreu com exercícios moderados, que produziram uma resposta mais modesta, e um aumento significativo de ácidos graxos e proteínas de origem hepática, que geralmente aparecem em resposta às demandas do exercício de resistência, não foi detectado na corrente sanguínea até 3 horas após a conclusão.
Células adiposas humanas expostas a sangue coletado após uma sessão moderada de ciclismo apresentaram apenas pequenas alterações na atividade gênica.
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Quais os benefícios
Quando os pesquisadores compararam proteínas responsivas ao exercício com dados de saúde de mais de 53.000 pessoas no Biobanco do Reino Unido descobriram que muitas dessas proteínas estavam associadas a um menor risco de doenças cardiovasculares e metabólicas.
A relação foi particularmente notável no caso do menor risco de obesidade, diabetes tipo 2 e outros distúrbios metabólicos: das 33 proteínas associadas a um menor risco, 32 foram alteradas pela corrida de velocidade, em comparação com apenas 3 pelo exercício moderado.
Mais de um quarto dessas proteínas também foram associadas a um envelhecimento biológico mais lento.
“Foi surpreendente ver como apenas alguns minutos de exercício intenso podem desencadear uma resposta molecular significativa. Ainda mais impressionante é que esse benefício persiste oito semanas após o exercício intenso, indicando que essa resposta é intrínseca ao exercício intenso”, afirma um dos autores, Luke Olsen, pesquisador da Universidade Rockefeller.


