Marcos Troyjo analisa mudanças na economia chinesa e os impactos sobre a demanda por alimentos brasileiros. (Foto: Happy Place Fotocabine )
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A China deve buscar maior autonomia em relação ao restante do mundo, mas continuará dependente do mercado externo para garantir o abastecimento de alimentos, cenário no qual o Brasil tende a se beneficiar. A avaliação é do diplomata, economista e professor-visitante do MIT, Marcos Troyjo, ex-presidente do NDB (Banco dos BRICS). A análise foi apresentada durante o lançamento do Núcleo Oeste do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Paraná (IBEF-PR), em Cascavel (PR), para mais de 100 lideranças empresariais.
“As decisões econômicas das empresas estão cada vez mais condicionadas ao cenário geopolítico. Para os executivos, acompanhar essas transformações é fundamental para antecipar riscos, identificar oportunidades e tomar decisões mais estratégicas”, afirma Carlos Peres, presidente do IBEF-PR.
Ao analisar a estratégia econômica chinesa, Troyjo destacou que Pequim avança na busca por maior independência em relação a outros mercados. Segundo ele, nos últimos anos o país passou a trabalhar para depender do menor número possível de nações, ao mesmo tempo em que busca ampliar a dependência de outras economias em relação aos seus produtos.
A estratégia chinesa, porém, encontra limites estruturais no setor agroalimentar. Maior importador mundial do segmento, o país asiático enfrenta restrições hídricas e ambientais. Nesse cenário, o Brasil se destaca tanto pelo agronegócio quanto por questões geopolíticas. “A China vai comprar menos alimentos do resto do mundo, em especial dos EUA, europeus, neozelandeses, australianos, mas comprarão mais do Brasil”, projetou Troyjo.
A disponibilidade hídrica é apontada pelo economista como um “divisor de águas” competitivo. Países com escassez desse recurso enfrentam limitações físicas para ampliar a produção agrícola, enquanto o Brasil reúne condições ímpares para atender à demanda internacional. “Acreditamos que estamos exportando soja, mas na verdade estamos exportando água”, explicou, referindo-se aos insumos necessários na cadeia produtiva.
Reorganização das cadeias globais
A análise sobre a China reflete uma transição estrutural no comércio global. Após décadas de integração acelerada das cadeias de suprimento, governos e corporações passaram a priorizar segurança econômica e redução de vulnerabilidades.
“Saímos de um cenário intensivo de globalização e já estamos em um cenário intensivo de geopolítica”, afirmou Troyjo, apontando episódios como o Brexit, a pandemia, a guerra na Ucrânia e os conflitos no Oriente Médio como aceleradores dessa transformação.
Diante da migração de operações da China para mercados como Índia, Marrocos e EUA, Troyjo ponderou que o Brasil precisa enfrentar seus gargalos internos. Custos de capital, complexidade tributária e burocracia permanecem como desafios centrais para atração de capital produtivo.
Expansão do IBEF-PR
O encontro marcou a estruturação do Núcleo Oeste do IBEF-PR, voltado a conectar gestores financeiros e fortalecer o ecossistema empresarial do interior paranaense. A entidade reúne mais de 375 associados no estado, incluindo mais de 90 CFOs e CEOs.
“O nosso objetivo é unir a comunidade financeira do Paraná, fortalecer o relacionamento entre os profissionais e criar oportunidades para que todos possam crescer e se desenvolver juntos. O Núcleo Oeste surgiu da demanda e iniciativa dos próprios executivos da região, que identificaram a importância de contar com uma representação mais próxima e conectada às necessidades locais”, destaca Peres.
O evento, contou com o patrocínio do programa IBEF-PR Expande de Martinelli Advogados e Deloitte; dos patrocinadores do evento Ouro, Faz Capital e Sicredi; da patrocinadora Prata, Result Consultoria Empresarial; dos patrocinadores de gestão, Gaia Silva Gaede Advogados, TOTVS, PwC e C6 Bank; e da Gazeta do Povo como Media Partner.
Sobre o IBEF-PR
O Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças – IBEF Paraná é uma instituição sem fins lucrativos, que há mais 40 anos congrega executivos de finanças dos vários segmentos da atividade econômica do Paraná, dentre eles: executivos das áreas de indústria, comércio, consultorias, empresas de serviços, auditorias, instituições financeiras (bancárias e não-bancárias) e instituições governamentais.
Por meio de seus comitês de Finanças, Desenvolvimento de Executivos de Finanças, Tributário e Empresarial, Inovação e ESG, o IBEF Paraná realiza eventos, projetos, discussões e compartilha conhecimento para contribuir com o desenvolvimento dos profissionais de finanças do Paraná.
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