No momento, o senador está impedido de registrar sua candidatura à Presidência da República pelo Partido Liberal (PL) em razão da sua filiação ao partido de Renan Santos (Foto: Saulo Cruz/Agência Senado)Ouça este conteúdo
O Partido Missão afirmou nesta quinta-feira (13) que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi incluído de forma “fraudulenta” no quadro de filiados da legenda. A equipe de Flávio descobriu a alteração quando tentou acessar o sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para formalizar a candidatura.
Em nota, o Missão afirmou que seu sistema identificou a irregularidade e que o partido tentou cancelar a filiação no mesmo dia. Segundo a legenda, o pedido acabou rejeitado pelo TSE.
“O partido vem a público informar que foi vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta de Flávio Bolsonaro. Nosso sistema, ao notar a fraude, tentou realizar no mesmo dia o cancelamento da filiação, ação que foi rejeitada pelo TSE”, afirmou o Missão na nota.
O partido disse ainda que comunicou o gabinete de Flávio Bolsonaro sobre a tentativa de filiação em 2 de agosto. De acordo com a legenda, os e-mails enviados foram abertos, mas não receberam resposta.
O Missão afirmou que adotará providências junto à Polícia Federal e ao TSE para identificar os responsáveis. A legenda também disse que entregará às autoridades e à imprensa um relatório com logs, e-mails e endereços de IP relacionados ao caso.
O partido afirmou ainda que não tem interesse em receber Flávio Bolsonaro em seus quadros. A legenda citou divergências ideológicas e fez referência a “acusações e suspeitas de envolvimento em esquemas de corrupção”.
Em live, no YouTube, o deputado federal Kim Kataguiri (Missão) afirmou que “algum funcionário do Flávio Bolsonaro” efetuou a filiação conforme dados enviados pelo partido ao TSE.
Segundo o deputado, a legenda pediu a desfiliação imediatamente ao TSE, mas o tribunal não teria agido para atender ao pedido do partido.
O pré-candidato à Presidência pelo Missão, Renan Santos, acusou Flávio de “estar inventando essa palhaçada para se fazer de vítima”. De acordo com Renan, o responsável pela filiação de Flávio ao Missão tinha acesso ao e-mail oficial do senador.
TSE nega hackeamento do sistema
Por meio de nota, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que a filiação do senador Flávio Bolsonaro ao partido Missão “não foi fruto de hackeamento do sistema de filiação partidária, mas sim de uso indevido da ferramenta por parte de alguém que possuía as credencias da legenda para efetivar filiações”.
De acordo com o comunicado, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, enviou uma representação à Procuradoria Geral Eleitoral para providências e determinou instauração de inquérito por parte da Polícia Judiciária.
O tribunal também afirmou que o pedido de desfiliação do Missão apresentado pelo PL já está sob análise.
Flávio diz que estão tentando barrar sua candidatura
Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio Bolsonaro afirmou que estão tentando barrar sua candidatura e atribuiu o episódio ao “sistema”.
“Vocês viram que fraudaram minha filiação partidária. O sistema vai tentar de tudo para me parar, mas não vai conseguir, não, porque Deus está no comando. Tenho uma má notícia para vocês que só sabem jogar sujo: não funcionou e nem vai funcionar. O Brasil vai vencer”, afirmou.
O TSE, porém, negou que tenha ocorrido hackeamento do sistema. Segundo a Corte, o episódio envolveu o uso indevido das credenciais de alguém autorizado pelo Missão a realizar filiações.
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